O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 27/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com o indígena brasileiro torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela visão estereotipada que se perpetua, seja pelo preconceito, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A priori, percebe- se que o legado histórico em relação à visão estereotipada do indígena é um dos motivos que fazem o problema perdurar. Nesse sentido, Cazuza, cantor brasileiro que marcou a nação com letras de alta representatividade social, preocupou-se com a reincidência de questões sociais em sua música “O tempo não para” com o trecho “eu vejo o futuro repetir o passado”. Dessa forma, a crítica do cantor se faz necessária na atualidade, principalmente em relação a essa questão, pois ainda hoje uma parte da população vê os índios como preguiçosos, como improdutivos e como empecilho para o desenvolvimento da nação. É incabível, portanto, que um país signatário dos direitos humanos permita que sua sociedade continue a sofrer as consequências de tal legado.
Outrossim, deve-se destacar que as opiniões e críticas desfavoráveis aos povos indígenas do país também existem e são conhecidas como preconceito. Isso se deve à intolerância e à discriminação da sociedade, pois os povos indígenas são pré-julgados com base em sua cultura, características e diferenças, além disso, a falta de consideração pelos grupos étnicos tem levado ao desmatamento e queima de terras, como se esses povos não fossem importantes para a sociedade, destruindo suas residências e famílias, o desmatamento em terras indígenas aumenta 64% nos primeiros meses do ano de 2020. Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver o impasse.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de um projeto social nas escolas e universidades, deve criar exposições históricas e culturais, que façam eventos explicativos a respeito da contribuição significativa dos povos indígenas à formação da nação brasileira. Tais eventos devem ser abertos a toda população, com oficinas, exposições, palestras e curta-metragem que apresentem para a sociedade a importância desse povo. Espera-se que, dessa forma, a população brasileira possa romper com essa visão preconceituosa e passe a valorizar a diversidade cultural e étnico-racial.