O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 30/08/2020

O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que o descaso com os índios brasileiros na atualidade afeta a sociedade como um todo. Assim, seja pela falta de acesso a educação e à saúde, seja pelos estereótipos ruins criados sobre eles desde a época da colonização e que permanecem até hoje, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que muitos jovens indígenas relatam que os maiores problemas que enfrentam estão relacionados à saúde e à educação. A falta de hospitais nas aldeias, de médicos, de materiais e as dificuldades de comunicação com agentes de saúde além das grandes distâncias até as cidades fazem com que os indígenas não recebam o devido atendimento. Ademais, em várias aldeias há a carência de escolas que ofertem uma educação de qualidade e de ensino completo, fazendo com que eles tenham de ir para as cidades em busca de melhores oportunidades. Segundo o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância no Brasil (Unicef), o analfabetismo entre crianças indígenas com idade entre 10 e 14 anos é de 18%, enquanto no total da população é de cerca de 4%.  Dados como estes evidenciam que soluções devem ser propostas.

Além desse fato, percebe-se que o legado histórico em relação à visão estereotipada do indígena é também um dos motivos que fazem o problema perdurar. Nesse sentido, Cazuza, cantor brasileiro que marcou a nação com letras de alta representatividade social, preocupou-se com a reincidência de questões sociais em sua música “O tempo não para” com o trecho “eu vejo o futuro repetir o passado”. Dessa forma, a crítica do cantor se faz necessária na atualidade, principalmente em relação a essa questão, pois ainda hoje uma parte da população vê os índios como preguiçosos, como improdutivos e como empecilho para o desenvolvimento da nação. É incabível, portanto, que um país signatário dos direitos humanos permita que sua sociedade continue a sofrer as consequências de tal legado.

Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de um projeto social nas escolas e universidades, deve criar exposições históricas e culturais, que façam eventos explicativos a respeito da contribuição significativa dos povos indígenas à formação da nação brasileira.Tais eventos devem ser abertos a toda população, com oficinas, exposições, palestras e curta-metragem que apresentem para a sociedade a importância desse povo. Espera-se que,dessa forma,a população brasileira possa romper com essa visão preconceituosa e passe a valorizar a diversidade cultural e étnico-racial.