O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 30/08/2020
Desde o século XVI, o índio vem sofrendo diversos atentados contra a vida e sua cultura. O genocídio causado pela colonização diminuiu, segundo o IBGE, em mais de 25% essa população, o idioma – que passou de 1,5 mil para 274 – e os costumes sofreram influências estrangeiras e eram discriminados pelo pensamento eurocêntrico. Apesar da Constituição de 1988 assegurar os direitos destes cidadãos, a situação atual ainda é alarmante, pois eles enfrentaram conflitos agrários, preconceito étnico, pouco acesso à educação e desemprego. Muitos brasileiros os julgam como preguiçosos, assim como Mário de Andrade descreveu Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.
Esse preconceito tem raízes históricas e é notado com frequência no cotidiano da sociedade. As crianças só conhecem o índio no dia 19 de abril, quando são pintadas e usam cocar feito de cartolina. Os professores não as ensinam sobre a importância daqueles para a formação da identidade do Brasil e os pais, por também terem essa mesma educação, não se preocupam com a visão que seus rebentos terão desse povo. Além disso, quando se pensa no indígena, o estereótipo de selvagem e com as “vergonhas” a mostra, igual a descrição feita por Pero Vaz de Caminha, é o que vem à mente da maioria dos brasileiros e, quando olham para um que não se enquadra nessa rotulação, julgam como “falso índio”. Dessa maneira, a escola tem a tarefa de quebrar estigmas e educar com base na diversidade étnica, mostrando todas as dificuldades que essa minoria passa para sobreviver.
Para que se reverta esse cenário dramático, portanto, é necessário a atuação conjunta entre MPF e ONGs a fim de garantirem os direitos básicos negligenciados aos 240 povos indígenas que restaram no país. É preciso que o poder Executivo tenha agilidade nos processos de demarcação das TIs e que a FUNAI fiscalize de forma mais eficaz a posse destas, penalizando os não-índios que ocuparem-nas de forma ilegal. Além disso, os órgãos municipais devem investir em projetos de geração de renda sustentável, através de agricultura e do artesanato. Só assim, ter-se-á igualdade entre todos da nação.