O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 30/08/2020
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, a omissão de direitos indígenas, bem como a preservação de sua cultura, configuram-se como obstáculo na conquista do bem comum, uma vez que exclusão desses povos gera impactos negativos em âmbitos ambientais e sociais para toda a nação. A partir disso, é valido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, somada ao descuido governamental estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar a ausência de conhecimento, por parte dos citadinos, da luta dos povos indígenas por demarcações de suas terras, uma vez que invasões para extração ilegal de recursos esta em constante crescimento. Além disso, a tentativa de exterminar os conterrâneos para que se obtenham mais terras, faz com que a cultura desses grupos seja ameaçada, logo deixando de contribuir para o desenvolvimento cultural do país. Sob essa ótica, segundo o sociólogo e ativista dos direitos humanos no Brasil, Herbert José de Sousa, um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência; muda sim pela sua cultura. À luz dessa ideia, é crucial que seja de conhecimento de todos a importância exercida pela cultura indígena sob a pátria.
Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para o assunto, visto que a escassas tentativas de finalizar os processos judiciais que envolvam qualquer causa indígena. Situações como tal deixam os nativos à mercê de fazendeiros e desmatadores ilegais que desejam as terras e recursos, sem penar no sofrimento daquele povo. Nesse sentido, de acordo com Rousseau, filósofo renascentista, o Contrato Social estabelecido entre sociedade e instituições públicas exige à participação mútua de ambos no combate a todas as mazelas da sociedade. Assim sendo, faz-se necessário a ação governamental na luta contra a opressão indígena.
Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas à preservação nativa, por meio das redes sociais - detentoras de grande abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem sempre os processos enfrentados por conterrâneos contra as mais diversas formas de ataque. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional, por meio da FUNAI - atual responsável pelos casos indígenas - incentivem uma fiscalização rigorosa das leis ambientais e sociais, com o fito de assegurar direitos sociais e a preservação ambiental. Desse modo, conseguir-se-à que o país retire a “pedra do caminho” citada por Drummond.