O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 02/09/2020

Após 500 anos de genocídio populacional e cultural dos povos indígenas na América Latina, sobretudo no Brasil, é extremamente difícil para eles imaginar viver com dignidade plena, mesmo em pleno século XXI. Tal processo de exclusão dos povos nativos é, principalmente, resultado do legado lusitano eurocêntrico e racista, que se perpetua atualmente na falta de proteção jurídica às tribos e no desconhecimento de sua cultura por parte da população geral. Dessa forma, para a sociedade brasileira, a segregação dos índios é, além de um crime histórico, uma questão urgente que deve ser solucionada, a fim de assegurar que a Constituição Federal seja respeitada, de forma a garantir que todo cidadão brasileiro tenha seu direito à vida digna. Inicialmente, é evidente a separação entre as tribos indígenas e a sociedade brasileira, visto que, apenas em 1988, com a constituição cidadã, o índio foi reconhecido como cidadão brasileiro. Entretanto, mesmo após a elaboração da CF, atividades extrativas ocorrem de maneira desenfreada e sem fiscalização em áreas de reserva nativa. A resposta de algumas aldeias a essa violação de seus direitos é a criação de grupos paramilitares, os Guardiões da Floresta, com o objetivo de manter o território de seus povos, expulsando invasores e apagando incêndios criminosos. Por outro lado, a exclusão do corpo da sociedade ocorre também pelo fato de que pouco é ensinado sobre os povos indígenas, assim seu legado é menosprezado ou até mesmo idealizado á moda europeia. A primeira geração do romantismo no Brasil criou o movimento artístico indianista, contudo, além da aparente valorização superficial da cultura nativa, o resultado foi a romantização do folclore dos índios, aproximando e mesclando o com contos heróicos helenísticos. Como consequência, o pouco que se sabe da cultura indígena após seu genocídio tem pouca fundamentação e confiabilidade histórica. Em síntese, os povos nativos sofrem por não terem sido integrados efetivamente na sociedade brasileira devido a complexos fatores históricos, o que gera problemas graves para o país. Portanto, para solucionar a questão das invasões e conflitos com fazendeiros e madeireiros, cabem aos Estados da União como responsáveis pelas suas respectivas Polícias Militares Estaduais absorver os grupos de Guardiões das Tribos para atuarem com a autoridade das corporações dentro do território demarcado de seu povo, com o intuito de legitimar e legalizar empoderando essas entidades. No âmbito cultural, é preciso que o Ministério da Educação, como órgão competente atue em conjunto com as Universidades Federais, por sua parte acrescentando maior valor a história indígena na pasta de conteúdo do ENEM, assim forçando as escolas de todo país a focar mais nesse assunto, enquanto as Universidades promovem estudos e pesquisas a fim de resgatar a cultura nativa perdida.