O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 27/10/2020

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica”, do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a falta de consolidação dos direitos dos índios no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não investir na contratação de professores que possuem especialização na língua indígena. Isso porque um índio pode ter interesse de frequentar uma instituição de ensino. Contudo, entender que na escola não há profissionais da educação que compreendam sua linguagem tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante a falta de consolidação dos direitos dos índios. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população ao não lutar por fiscalização, visto que falta inspecionar, com mais rigidez, a legislação que garante um meio ambiente ecologicamente equilibrado, prejudicando, dessa forma, o modo de vida da sociedade indígena. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, comprometendo, desse modo, o senso crítico destes.

Constata-se, finalmente, que a falta de consolidação dos direitos dos índios deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, investimento financeiro, priorizando verbas para a admissão de profissionais capacitados para lecionar aulas aos povos indígenas, objetivando, com isso, assegurar o direito à educação deles. Ademais, é fundamental sensibilizar a sociedade, via campanhas midiáticas promovidas por organizações não governamentais, a fim de que essa problemática não seja banalizada, o que pode ser potencializado por meio do Poder Executivo com a aplicação de capital na contratação de pessoas qualificadas para fazer o processo de fiscalização da lei existente, com o objetivo de assegurar um ecossistema equilibrado e o modo de vida indígena.