O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 21/04/2021
“Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo.“A frase do filósofo George Santayana traz a reflexão acerca da importância de um povo conhecer sua história para que os erros não sejam repetidos. Entretanto, atualmente, os povos indígenas tem suas terras e culturas dizimadas, assim como ocorreu na colonizção do Brasil no século XVI. Isso se deve à perda de direitos políticos indigenistas e à persistência de um esteriótipo indígena ultrapassado.
Em primeiro plano, a invasão de terras indígenas para fins de agronegócio e mineração é reflexo de um enfraquecimento, ao longo dos anos, da política indigenista no Brasil. Esse declínio de direitos é observado na medida provisória apresentada pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro, de 2019, a qual esvazia atribuições da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e as submete aos interesses ruralistas. Tal medida, apesar de ter sido rejeitada, abre “portas” para o uso e exploração indiscriminado de terras pertencentes aos povos originários, visto que, umas das principais funções da FUNAI é a identificação e demarcação de terras indígenas. Essas e outras supressões no direito patrimonial dos povos nativos agravam, e muito, a qualidade de vida dessa população e aumentam, ainda mais, a dívida histórica com os primeiros habitantes dessa terra.
Ademais, a maioria das pessoas, infelizmente, ao se deparar com uma pessoa indígena nas cidades utilizado recursos da “civilização”, como celulares e carros, logo interpretam que esse indivíduo não é mais um “índio”. Essa interpretação equivocada se deve a uma visão esteriotipada - advinda da epoca da colonização portuguesa -, a qual os povos originários são selvagens e são considerados indígenas apenas quando em aldeias e vestidos de acordo com sua etnia. Como consequência, o indígena em contexto urbano é excluído da sociedade e tem sua identidade cultural deslegitimada.
Portanto, cabe ao Governo Federal garantir que o órgão indigenista do Estado, FUNAI, exerça suas funções, plenamente, sem a intervenção de outros setores, para que assim os direitos indígenas sejam preservados. Além disso, compete à Secretaria Especial da Cultura incentivar o respeito à cultura dos povos originários, por intermédio de propagandas que tragam o conhecimento acerca do modo de vida das diferentes etnias indígenas, dentro e fora do espaço urbano, assim promovendo a preservação e respeito à cultura desses povos. Dessa maneira, será possível que tenhamos uma sociedade mais igualitária e que não comete os mesmos erros do passado.