O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 06/06/2021
O índio Macunaíma, personagem do escritor modernista Mário de Andrade, é reflexo da estereotipização do indígena na sociedade brasileira. Nesse sentido, ao longo da obra, o personagem constituidor da identidade nacional, Macunaíma, em uma visão distorcida, é retratado como responsável pela herança de atributos negativos presentes na sociedade. Fora da ficção, a rapsódia de 1928, mostra analogamente o pensamento dos brasileiros até os dias hoje, em que essa ideologia – de descaso com o indígena - ainda permeia no cotidiano da sociedade. Nesse contexto, é necessário discutir os aspectos culturais e políticos da questão, em prol do bem estar coletivo.
A priori, a herança histórico-cultural é a principal responsável por essa mazela. Segundo a teoria sobre o ‘‘Habitus’’, do sociólogo Pierre Bourdieu, as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização. Nesse sentido, os comportamentos característicos de uma determinada época são naturalizados pela sociedade e, por consequência, reproduzidos ao longo das gerações. Desse modo, a colonização portuguesa na américa baseada no etnocentrismo, segregou esses povos, colocando sua cultura e costumes na marginalização da sociedade. Exemplo disso, é o que ocorre ainda nos dias de hoje nas escolas, em que o índio é tratado como um ser mitológico, selvagem e incapaz de socializar.
Outrossim, o governo também contribui para esse imbróglio. De acordo com o filósofo Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, a falta de debate sobre a situação indígena é de extrema importância para a manutenção do poder de forma discreta, pois muitas terras indígenas são de interesse econômicos por partes da alta classe madeireira e mineradora brasileira – que muitos políticos fazem parte. Assim, sem diálogo sério e massivo, os direitos indígenas já assegurados pela constituição, irão perder seu espaço, segregando cada vez mais essa parcela da sociedade.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para garantir os direitos fundamentais do índio. Assim, o Ministério da Educação em parceria com as escolas deve promover e criarem projetos pedagógicos- como debates e palestras-, que promovam o respeito e ajude a descontruir o preconceito e a imagem negativa que o índio tem na sociedade. Tais atividades devem ser direcionados não só aos alunos do ensino médio e fundamental, mas aberto a toda comunidade. Só assim, a sociedade avançará para uma coletividade em que todos os direitos serão preservados sem nenhum preconceito.