O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 10/11/2021

A obra’’ O cidadão invisível’’, de Gilberto Dimenstein, retrata certos indivíduos que são desvalorizados na sociedade. Fora da ficção, a realidade não é diferente, uma vez que a questão indígena no Brasil contemporâneo é preocupante, pois esse grupo sofre de desvalorização de grande parte do meio social e do governo. Nesse sentido, observa-se a configuração de um grave problema enraizado na lacuna educacional e na omissão governamental.

Nesse contexto, pode-se apontar que a base educacional lacunar é um influenciador desse impasse. De acordo com Imannuel Kant, filósofo alemão, o homem é o resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há uma problemática social, é devido a uma falha no sistema educacional. Dessa forma, é notório que as instituições de ensino não abordam de forma eficaz a importância de valorizar a cultura indígena e de evitar certos estereótipos preconceituosos, por exemplo de que essa população vive como no período colonial, com caças e atividades rudimentares. Além disso, alguns professores de história não incentivam conhecimento acerca da diversidade das línguas indígenas e do artesanato. Logo, é evidente que sem essas ações efetivadas, a resolução do entrave é dificultada.

Outrossim, é válido destacar que a inoperância legislativa é uma causa latente dessa questão. Segundo Thomas Hobbes, o estado deve garantir o bem-estar da população por causa de um contrato social feito entre os governantes e a comunidade. Porém, essa premissa não é verificada no que concerne aos índios na contemporaneidade, visto que não existem leis realmente colocadas em práticas, já que a Constituição federal de 1988, assegura a dignidade para todos sem distinção, mas, esse setor social continua, muitas vezes, excluídos do corpo social e com suas terras ameaçadas. Diante disso, nota-se que as leis permanecem apenas no papel, não cumprindo sua função de reverter esse cenário.

Portanto, urge uma intervenção pontual. Para isso, o poder estatal, por intermédio do Ministério da Educação deve propor a produção de materiais didáticos que lecionam aos jovens e adultos a história e cultura desses povos, por meio de palestras lúdicas e projetos históricos, a fim de diminuir a desvalorização indígena. Tais ações devem ser divulgadas nas redes sociais. Ademais, é dever do governo fiscalizar a legislação para que seja colocada em prática. Assim, a obra de Dimenstein se distanciará da realidade brasileira.