O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 03/11/2017

De acordo com o sociólogo Zygmunt Baumann, em sua obra Em Busca da Política, nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar ou deixa que esta caia em desuso pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem. Nessa perspectiva, tornam-se passíveis de discussão os problemas enfrentados pela população indígena brasileira na atualidade não somente pelo aumento da ocorrência de conflitos violentos pela posse de terra, mas também pela alta taxa de suicídio entre os índios.

A ineficiência pública no processo de demarcação das terras indígenas tem como resultado um crescimento no numero de conflitos violentos entre tribos indígenas, garimpeiros e fazendeiros pela posse da terra. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, somente no ano de 2013 dos 34 assassinatos envolvendo disputa por terra 14 foram de indígenas. Somado a isso, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário, no ano de 2016, 137 índios assassinados por disputas agrárias ou questões relacionadas aos índios não estarem ocupando seus territórios tradicionais.

As disputas fundiárias propiciaram problemas sociais que fazem os casos de suicídio entre indígenas superarem a média nacional. Segundo o jornal O Globo, enquanto a média nos casos de suicídios é de 5 pessoas em 100 mil, entre os indígenas esse numero é três vezes maior. Essa discrepância  decorre da falta de perspectiva ocasionada pela demorada homologação das terras indígenas, além das mudanças culturais que ocorreram pela falta de território. Nesse sentido, casos de depressão, de alcoolismo, de dependência nas drogas, problemas que podem desencadear casos de suicídio, se tornaram recorrentes entre povos que foram expulsos da sua terra ou vivem numa parcela reduzida do território que lhes pertence.

Portanto, é indubitável o combate aos problemas enfrentados pelos povos indígenas no que tange os conflitos agrários violentos e os elevado número de casos de suicídio desses povos. Nesse sentido, o Ministério da Justiça deve criar uma comissão que análise de maneira célere os processos de demarcação para evitar os conflitos decorrentes da demora na homologação da terra. Somado a isso, a Policia Federal deve acompanhar in loco as áreas de possíveis conflitos para evitar mais assassinatos. Além disso, é necessário que o Ministério da Saúde e Ministério do Desenvolvimento Social criem um programa social que leve profissionais da área de saúde mental e assistentes sociais paras as comunidades indígenas envolvidas em processos de demarcação no intuito de prevenir casos de suicídio por meio de acompanhamento psicológico e social.