O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 01/11/2017
“Parece-me gente de tal inocência que se os homens os entendessem e eles a nós seriam ótimos cristãos“. A constatação de Pero Vaz de Caminha há algum tempo inicia o culto do “bom selvagem“ para fazer menção ao índio no Brasil. Essa visão, infelizmente, ainda na contemporaneidade é constantemente alimentada, resultando em um desastroso cenário onde a intolerância e a violência afogam a cultura e segurança do indígena brasileiro.
Por isso, em primeiro lugar, é fundamental ressaltar que essa visão preconceituosa tem gerado uma serie de desrespeitos aos direitos desse povo, como por exemplo, o seu direito a terra o qual ainda hoje é motivo de conflitos devido à falta de demarcação de suas propriedades. A seriedade dessas disputas é ilustrada em casos como o ocorrido no Maranhão que deixou dez índios e três fazendeiros feridos, o indígena que se encontra em estado mais grave transparece a brutalidade do ocorrido, esse teve os dois antebraços decepados por golpes de facão. A pouca preocupação do governo em solucionar esses casos causou ao país uma acusação de quebra dos direitos humanos realizada pela ONU.
Ademais, a pouca visibilidade dada a esse nativo construiu uma enorme generalização de seus costumes no Brasil. Há até mesmo quem afirme que eles estão abandonando sua cultura por fazer uso de aparelhos como telefone celular. Exatos além de propagarem um discurso preconceituoso parecem não compreender a pluralidade presente em todas as culturas e ignorarem as saudáveis transformações e adaptações a qual estas sofrem naturalmente.
Por conseguinte, para que a visão propagada por Caminha seja aos poucos extinta do Brasil cabe a FUNAI pressionar o poder Judiciário afim de que esse estabeleça as tão esperadas demarcações nas terras indígenas, e disponibilize escolta policial para garantir a ocupação dos territórios com total segurança. Quanto à mídia fica o papel de conscientização social por meio de palestras, comerciais de TV e matérias em jornais que denunciem os abusos e façam a população se interar sobre a causa indígena, procurando conhecer melhor seus costumes e interesses. Talvez assim será possível construir um futuro mais humanizado à esse povo.