O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/10/2017
" Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, eles se tornaria, logo cristãos". O trecho da carte de Pero Vaz de Caminha evidencia o forte preconceito que os portugueses estavam imbuídos ao colonizar o Brasil. Essa visão carregada de esteriótipos que permeia os indígenas perpassou gerações e, na contemporaneidade, se encontra mais acentuado. Essa desvalorização e subordinação dos elementos e da cultura desse povo possui causas educacionais, políticas e econômicas.
Em primeira análise, é imprescindível ressaltar o papel das escolas na perpetuação dos estigmas e preconceito em relação aos povos nativos do Brasil. Isso ocorre devido ao pouco aprofundamento dos elementos culturais e da pluralidade étnica da população indígena. O dia 19 de abril é utilizado para comemorar o dia do índio, contudo esse homenagem é bastante simplória e que acaba por cria uma imagem caricaturizada desse segmento que sofre com diversas tentativas de genocídio e etnocídio cultural ao longo da história. Essa visão transmitida pelas instituições de ensino renega os dados levantados pelo censo do IBGE, que constatou mais de 305 etnias indígenas e mais de 270 línguas faladas por eles, demonstrando, assim, que a diversidade é mascarada a fim de rotular e homogeneizar uma cultura tão ampla.
Além do aspecto educacional, os fatores políticos e econômicos também aparecem como entraves a essa população. Isso ocorre por causa da lentidão em garantir o exercício a cidadania aos indígenas, que só vieram a ter direitos com o Estatuto do Índio em 1973 e com a Constituição Federal que tipificou o direito da manutenção da cultura originária e sobre as terras que foram ocupados tradicionalmente, competindo à União demarcá-las. Contudo, os interesses de segmentos da classe política aliado as ambições do setor privado tem feito essas garantias sociais não serem aplicadas e até sofrerem com retrocessos, pois à invasão aos territórios deles se torna constante. Devido à esses fatores a homologação das terras indígenas se torna cada vez mais complicada.
Para que se reverta esse cenário, portanto, faz-se necessário ações por parte do poder público e no âmbito educacional para a mitigação desse impasse. É dever da Fundação Nacional do Índio (Funai) pressionar o poder Legislativo, por meio de veículos midiáticos, a homologação das terras indígenas que estão pendentes, conservando, assim, o maior patrimônio para esse povo, onde sua cultura poderá se consolidar. Já ao Ministério da Educação compete a inserção na grade escolar do estudo de elementos culturais de matriz indígenas, transpassando os esteriótipos e estigmas edificados a cerca dessa população, para que, dessa forma, possa desestruturar o preconceito que perdura por séculos.