O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 27/10/2017
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico, pois ela é formada por partes integradas. Decerto, para que esse organismo seja harmônico, é essencial a garantia de todos os direitos dos cidadãos. Contudo, a violência- física e simbólica- sofrida pelos índios rompe esse equilíbrio. Desse forma, deve-se analisar como a herança histórica-cultural e a negligência do Poder Público potencializam tal problemática.
A herança histórica-cultural é uma forte impulsionadora da violência sofrida pelos nativos. Isso decorre desde da chegada dos portugueses, no século XV, na América Portuguesa, quando os jesuítas impuseram a cultura europeia sobre esse povo, favorecendo o etnocentrismo. A sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais de sua época, conforme defendeu o sociólogo Pierre Bordieu, naturalizou esse pensamento e passou a reproduzir tal prática preconceituosa. Em razão disso, muitos índios ficam á margem da sociedade, sem poder desfrutar de sua cidadania, como, por exemplo, dificuldade em conseguir emprego ou em frequentar a escola.
Outrossim, a omissão do Estado contribui com o impasse. Embora a Constituição Federal de 1988 tenha garantido direitos fundamentais aos aborígenes, a exemplo do reconhecimento de suas crenças e da demarcações de suas terras, o Poder Público falha na efetivação dessas conquistas. Não é a toa que, segundo a Comissão Pastoral da Terra, das 30 mortes por conflitos de terras em 2013, metade eram índios. Dessa forma, percebe-se as questões econômicas - interesses de grandes latifúndios- em primeiro plano, deixando em segundo plano os direitos de um povo que tanto foi injustiçado na recente história do Brasil.
Destarte, fica evidente a necessidade de medidas serem adotadas para resolver a questão indígena. Para isso, cabe à Secretária dos Direitos Humanos, em parceria com os canais televisivos, beneficiados por deduções fiscais, disseminar palestras proferidas por sociólogos a fim de desconstruir o etnocentrismo enraizado na sociedade. Ademais, a Polícia Federal, em parceria com a Funai, deve criar pontos estratégicos para proteger os nativos e garantir a demarcação de suas terras. Assim, o corpo biológico brasileiro dará um grande passo para a consolidação de sua paz social.