O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 27/10/2017
No romantismo brasileiro, cujo expoente se dá com José de Alencar, a figura do índio é valorizada e vista como símbolo do nacionalismo brasileiro. Historicamente, porém, e até hoje, o povo indígena é desprezado em meio a uma sociedade guiada pelo capitalismo exacerbado, que se dá ao compararmos, por exemplo, o seu ideal de vida baseado na subsistência com o nosso ideal de vida. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser negligenciados, como os conflitos agrários e o preconceito étnico.
Em primeira análise, cabe pontuar que ao longo da colonização do Brasil, os povos indígenas foram expulsos de seu território pelos portugueses, com a justificativa de ampliar as fronteiras agrícolas. Desde 1991 a lei que garante a autorização do Estatuto dos Povos Indígenas tramita no Legislativo à espera de sua aprovação. Uma de suas garantias é a posse indígena de seus territórios habitados, e propõe pôr um fim a um longo conflito territorial no Brasil: os povos indígenas versus os latifundiários e sua expansão agrícola. Por esse motivo há a necessidade de se outorgar o Estatuto e pô-lo em prática no território nacional.
Ademais, convém frisar que é necessário encarar o fato de que nós, os brasileiros do século XXI, ainda pensamos como os portugueses do século XVI quando subjugamos a cultura indígena. Além disso, quando se pensa no indígena, o estereótipo de selvagem e com as “vergonhas” a mostra, igual a descrição feita por Pero Vaz de Caminha, é o que vem à mente da maioria dos brasileiros e, quando olham para um que não se enquadra nessa rotulação, julgam como “falso índio”. Prova disso é o fato de classificarmos, popularmente, a nossa cultura como rica e civilizada, enquanto a deles é considerada folclore por muitos de nós.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. É imprescindível que o governo garanta a eficácia do Estatuto do Índio através, por exemplo, da busca pela maior rapidez em resolver as questões indígenas e relativas às demarcações de seus territórios, bem como ao aumento das fiscalizações e punições em casos de desrespeito aos limites estabelecidos. Outrossim, é papel das instituições educacionais de promover campanhas para a divulgação da identidade indígena e a importância de preservá-la, por meio de passeios educativos em comunidades e museus, além de reservar uma carga horária das aulas de história para aprender a história do povo. Logo, como no romantismo brasileiro, o índio teria seu devido valor e engajamento social