O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 27/10/2017

A maldição dos índios

Chegaram em 1500 as primeiras caravelas portuguesas ao litoral brasileiro. Aparentemente desconhecido, o território gerou admiração por sua enorme extensão e sua população exótica: os índios. Com a dificuldade de comunicação e as diferenças culturais, os estrangeiros dominaram os nativos durante décadas, explorando os recursos da terra e a força de trabalho da população, dizimando-os. Essas atitudes são refletidas até os dias atuais, em que pesquisas pelo IBGE demonstram que apenas 0,9% da população brasileira é indígena e que ocupam cerca de 12% do território, área fortemente ameaçada pelos interesses econômicos de agricultores e mineradores.

No que diz respeito à mineração, a população nativa tem enfrentado para superar os riscos a que estão submetidos com a invasão das terras pelo interesse em recursos naturais. Os garimpeiros, muitas vezes sem autorização, aproveitam a falta de fiscalização para apossar-se das terras, causando danos irreversíveis, como a contaminação dos rios com o mercúrio utilizado na extração de minério e a consequente transmissão à flora e à fauna que servem de alimento para os aborígenes. Isso, associado a violência com que são tratados durante a invasão, pode contribuir para o extermínio desse povo.

Já em relação aos agricultores, o interesse no desmatamento das florestas e ocupação de terras é motivada pelo interesse na expansão da monocultura e a criação de gado, ambos prejudiciais às condições naturais do solo, tornando-os inférteis e irrecuperáveis. Além disso, a retirada de árvores é capaz de alterar todo o ecossistema, causando impacto não só à população nativa, mas também à toda região próxima, provocando erosões e assoreamento de rios.

Assim, é difícil se chegar a uma finalidade prática que beneficie ambos os lados. Então, mesmo com a demarcação de terras feita durante o mandato da presidente Dilma, inúmeros territórios esperam na longa lista para serem assegurados. Isso provoca movimentos violentos, refletidos em uma pesquisa da Unesco que demonstra o aumento de 600% no número de índios mortos por violência em relação a 2003, porcentagem que pode dobrar nos próximos anos, segundo previsões.

Em virtude do que foi mencionado, depreende-se a necessidade da manutenção da população indígena para preservar o grande patrimônio histórico-cultural que eles possuem. Dessa forma, é necessário que o governo federal, juntamente com a Funai, trabalhe na supervisão dos assentamentos indígenas, além de acelerar o processo das demarcações remanescentes por meio de leis eficazes que punam os garimpeiros infratores a fim de garantir a perpetuação dos direitos humanos, contribuindo para a continuidade da história brasileira.