O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 28/10/2017

Idealizado durante a 1ª geração romântica como herói nacional, o índio vem, desde o século XVI, sofrendo ataques contra a sua cultura e seus direitos. No período da colonização, segundo o IBGE, essa população diminuiu em 25% e dos 1,5 mil idiomas falados, restaram apenas 274. Longe de ser um problema do passado, apesar da Constituição de 1988 garantir o direito desses cidadãos, a situação em que vivem é alarmante, uma vez que os mesmo sofrem constantemente com conflitos e com o preconceito.

É inegável notar como o avanço do agronegócio afeta negativamente as tribos indígenas. Os grande latifundiários, imbuídos pela ganância e pelo capitalismo, invadem e desapropriam as terras desse povo, usando-se, muitas vezes, da violência. A exemplo disso, existe a PEC 2015- amplamente apoiada pela bancada ruralista- que altera as regras para demarcação de terras indígenas e quilombolas, indo contra a Constituição que garante a esse povo o direito a propriedade.

Além disso, a caracterização feita por Pero Vaz de Caminha em sua carta parece ainda estar presente nos dias de hoje. O índio tem sua construção feita enquanto imagem, e não, cultura. As escolas, por exemplo, tendem a ensinar um visão estereotipada dos mesmos, não abordando suas diversidades culturais. Nesse contexto, a população indígena acaba sendo isolada da sociedade e privada dos seus direitos como cidadão, pois são considerados como primitivos e incivilizados, sofrendo, dessa maneira, com a intolerância e o preconceito.

Visto o panorama apresentado, nota-se a necessidade de buscar medidas para solucionar os desafios sofridos pelos aborígenes. O governo deve promover o Projeto de Estatuto das Sociedades Indígenas, visando garantir a proteção das mesmas e a proibição da exploração dos recursos encontrados nas tribos. Bem como as escolas devem promover o reconhecimento das diferenças culturais, sem a premissa de inferioridade, para que as crianças não tenham uma visão estereotipada dos índios.