O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 31/10/2017

Fosse uma manhã de sol

Oswald de Andrade, escritor modernista, lamentou no poema “Erro de Português” que o europeu vestiu o índio, remetendo-se ao processo civilizatório. Nesse sentido, nota-se que esse procedimento autoritário ainda perdura na sociedade brasileira, acompanhado pela intolerância. Dessa forma, o ícone nacional é colocado em xeque tanto por atos sociais quanto por práticas inconstitucionais.

A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a fatores socioculturais. Segundo Albert Einstein, cientista contemporâneo, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. Sob tal ótica, é inquestionável que as atitudes discriminatórias e de aculturação cometidas há 500 anos, continuam a denegrir a figura dos indígenas. À vista disso, observa-se que o etnocentrismo ainda norteia os pensamentos da população, a qual segue identificando a cultura dos nativos como inferior e, consequentemente, propagando preconceitos para as próximas gerações. Desse modo, a ignorância e a intolerância dão margem para a manutenção dessa problemática.

Além disso, vale ressaltar que essa situação é corroborada por questões político-estruturais. Isso porque, em um contexto no qual a demarcação de terras e a assistência aos povos indígenas são fatores praticamente inexistentes, esses se tornam vulneráveis a constantes invasões e à perda de segurança. Nessa perspectiva, a Constituição Brasileira promulgada em 1988, a qual reconhece o dever da União em proteger o território e a organização social do índio, é impraticada. Dentro dessa lógica, a omissão do governo põe em risco os direitos dos nativos.

Depreende-se, portanto, que atitudes da sociedade potencializam ações governamentais. Torna-se importante que o Estado, na figura do Poder Judiciário, promova a justiça, através da investigação, julgamento e punição dos que ferirem a delimitação das terras aborígenes, a fim de garantir e efetivar os direitos desse povo. Ademais, urge que o Ministério da Educação implemente aos livros didáticos conhecimentos sobre os costumes e a história indígena, com propósito de evitar o desenvolvimento de preconceitos. Com essas medidas, à lastima de Oswald ficará no passado e o tempo tenebroso cessará.