O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 30/10/2017
Não é difícil lembrar notícias sobre os conflitos ocorridas devido a invasão de reservas indígenas. Essa imagem tornou-se frequente nos dias de hoje, uma vez que vivemos em uma sociedade na qual os direitos dos povos autóctones são inúmeras vezes desrespeitados. Nesse contexto, é imprescindível debater sobre os perigos enfrentados pelo índio na sociedade contemporânea; infere-se que essa conjuntura é ocasionada, sobretudo, pela extinção de muitas etnias devido a interferência do homem branco e pela sobreposição dos interesses econômicos dos latifundiários sobre as terras demarcadas.
Um dos tópicos que devem ser abordados é o processo de extinção de muitas culturas indígenas. Cabe a colonização uma posição de destaque nessa conjuntura, posto que a visão etnocêntrica dos “descobridores” alterou significativamente a organização social desse povos, os quais eram vistos por estes, muitas vezes, como animais. Nesse contexto, é oportuno ressaltar a catequização e os idiomas europeus como imposições que deterioraram gradativamente as tradições do índio, levando ao desaparecimento de muitas. No Brasil, a adoção do português como língua nacional contribuiu para o processo de desaparecimento do tupi-guarani, consequentemente prejudicando a transmissão dos saberes para as novas gerações. Dessa forma, vê-se a necessidade da ação do Ministério da Cultura em proporcionar ferramentas para reverter essa situação.
Ademais, não há dúvidas que os interesses extrativistas sobre as reservas contribuem para perenizar o impasse. Este fato pode ser observado no avanço das fronteiras agrícolas que influenciam a redução dos territórios indígenas demarcados. Nesse contexto, apesar da constituição de 88 garantir a posse sobre as terras ocupadas por esses povos, são inúmeras as invasões indevidas por grandes latifundiários e madeireiras. Um exemplo relevante é o que ocorre no Mato grosso, no qual há uma constante tensão entre os índios Xavantes e fazendeiros, que cobiçam as terras para o agronegócio; essa conjuntura, expõe a dificuldade que o governo apresenta em controlar os conflitos. Assim, fica explícito que adoção de novas providências é essencial para solucionar a questão.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para reverter o impasse. Em primeiro lugar, o Ministério da Cultura junto a Funai, deve organizar um projeto no qual antropólogos realizarão pesquisas afim de preservar o idioma e tradições indígenas. Nesse contexto, também serão incluídas aulas específicas para as crianças dessa cultura, tornando possível a continuidade da etnia nas novas gerações. Dando continuidade, o governo irá investir em tecnologias de monitoração espacial nas terras demarcadas, além de criar um canal telefônico de denúncias possibilitando uma ação mais efetiva da polícia federal nessas áreas. Só assim, haverá a proteção do índio na sociedade contemporânea.