O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 30/10/2017

Preconceitos mascarados

A colonização portuguesa no Brasil durou pouco mais de 300 anos e uma de suas características foi o modo como ela dizimou a população indígena por meio da agressão física e do poder bélico. O fim dessa época data quase 2 séculos, porém a permanência da visão etnocêntrica acarreta uma violência simbólica que desrespeita a cultura e os direitos do índio, ameaçando acabar com as reservas a ele destinadas. Faz-se necessário, pois, um pleno conhecimento das diversidades nacionais.

Primeiramente, já no período pré-iluminista, o filósofo John Locke afirmou que a propriedade deve ser um direito inalienável do ser humano. Tal constatação foi tão importante que é reafirmada pelo artigo 5º da Constituição Cidadã, a qual rege o país. Ainda assim, as propostas políticas de destruir reservas indígenas continuam em pauta por um motivo: a ideia europeizada de propriedade impede a maior parte da população brasileira de enxergar que a moradia do índio é a natureza. Para a classe dominante, as moradas são construções feitas pelo homem, como casa ou apartamentos. Contudo, as porções da floresta habitas por indígenas são suas residências e a violação dessa relação de propriedade é, portanto, inconstitucional.

Uma grande parcela dos brasileiros alega, ademais, que integrar o índio na sociedade é benéfico porque ele poderá ter contato com os avanços tecnológicos que permeiam o mundo. Como na carta do escrivão de navegações portuguesas Pero Vaz de Caminha, “salvar essa gente” se disfarça como um pensamento altruísta. Entretanto, esse argumento abrange apenas o método científico elaborado por europeus e utilizado por algumas sociedades. Os índios, também, desenvolveram ciência: baseados majoritariamente no empirismo, as diversas tribos observam a natureza e usufruem dela para tratamentos, construções e meios de comunicação. Inflingir hábitos alheios nesses grupos se revela, por conseguinte, como uma ação marcada pelo preconceito.

Percebe-se, destarte, que o etnocentrismo é o motivo pelo qual a terra e os costumes do índio estão ameaçados. Para mitigar esse quadro, o Ministério da Educação pode instaurar aulas sobre as histórias e práticas das principais tribos indígenas que existiram e existem no Brasil, recebendo a ajuda de historiadores e antropólogos para estabelecer o conteúdo que será aplicado nos colégios. A escola pode, por sua vez, estender essa iniciativa, promovendo excursões a museus e outros tipos de locais que enalteçam as diferentes culturas nacionais. Assim, os brasileiros aprenderam a compreender e respeitar os diferentes modos de vida dos índios no país.