O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 30/10/2017
Constituição negligenciada
Preconceito. Imposição. Controle. O período das Grandes Navegações e da colonização da América representou, para os indígenas, um devastador massacre e destruição de sua cultura. Embora já passados 500 anos do início do processo colonizador, o índio continua em uma situação de perigo e ameaça à sua identidade graças à manutenção de uma visão etnocêntrica a qual rege a política nacional. Sendo de extrema importância, pois, um conjunto de medidas para reverter tal arquétipo social.
Primeiramente, a ideia etnocêntrica de comparar sociedades em relação a um grau de progresso revela-se como um fator essencial para a manutenção do desrespeito ao índio. Muitos acreditam que a nação deve impor sua cultura e seu “avanço” às tribos, como o uso da eletricidade por exemplo. Contudo, é importante notar que tal ideal é a plena atualização da missão civilizatória proposta pelos europeus à Africa e à América, a qual, na verdade, apenas as submeteu ao interesse metropolitano. Em termos sociológicos, cada comunidade possui a sua cultura e a sua forma de se relacionar com o mundo, não havendo uma escala de superioridade a qual somente é usada para despossuí-los de sua cultura e crença.
Outro fator comprometedor da estabilidade indígena e derivado de tal visão estabelece-se, mormente, sobre a ideia de prosperidade. Há uma complexa problemática relacionando o uso dos recursos naturais e a ação dos madeireiros com a realocação indígena. Devido ao ideal etnocêntrico, o qual visa apenas ao interesse próprio, apenas o lado econômico é levado em conta. Todavia, o artigo V da Constituição, baseado no pensamento do filósofo iluminista John Locke quem apontava a necessidade de o Estado garantir o direito à propriedade, revela-se violado com tais práticas adotadas pela política nacional. Dessa forma, é percebida a contrariedade exposta por uma visão preconceituosa, a qual se constrói e manifesta sobre o próprio benefício e submete os indígenas à sua exploração e controle.
O índio, mesmo após séculos da colonização, depara-se, destarte, em um estado de perigo visto à permanência de um ideal etnocêntrico. Para reverter tal quadro, escolas e ONGs poderiam unir-se para promover palestras gratuitas em espaços públicos, contando com sociólogos e pensadores contemporâneos, para tratar sobre o multiculturalismo e a etnografia, isto é, a valorização das diferenças culturais e do respeito ao diferente. A visão preconceituosa, assim, iria cair e abrir espaço para uma sociedade ética e igualitária, a qual garantiria os direitos de todos e a estabilidade indígena.