O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 02/11/2017
Conforme Émile Durkheim, sociólogo francês, fato social é a maneira de agir, pensar e sentir, que exerce determinada força sobre os indivíduos. Ao seguir essa linha de pensamento, é possível perceber que o pensamento estereotipado sobre a população indígena brasileira provém da visão eurocêntrica dos portugueses colonizadores do país. O sentimento de superioridade cultural, apesar de datar de séculos passados, é ainda persistente na sociedade moderna.
É indubitável que a ausência de ensino sobre a cultura aborígene é uma das principais causas para a cristalização da problemática. Isso porque, apesar da ampla diversidade cultural - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem mais de 305 etnias diferentes - o fomento ao conhecimento sobre o tema é desvalorizado. As crianças de ensino fundamental, por exemplo, comemoram o Dia do Índio apenas com a utilização de um cocar feito de cartolina e, geralmente, nada aprendem sobre a população.
Outrossim, o avanço do agronegócio e mineração em Terras Indígenas (TIs) impede o primitivo de exercer seu direito de ir e vir previsto na Constituição Federal. Sendo assim, as tribos sofrem um problema fundiário constante, tornando favorável o surgimento de desavenças, desestrutura e crises de identidade. Em virtude disso, as taxas de suicídio nessa população é progressiva e a maior do país - segundo o jornal O Globo, a taxa de mortalidade por autocídio entre nativos é quase o triplo da média nacional.
Destarte, depreende-se que o índio vive diversas problemáticas na atualidade. Faz-se premente, portanto, a agilização no processo de demarcação e monitoramento de TIs pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), com o objetivo de impedir a prática ilegal de mineração e agronegócio nesses territórios. Ademais, é importante a realização de campanhas conscientizadoras na mídia, em parceria com o Governo Federal, visando a valorização da diversidade cultural indígena.