O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 02/11/2017

Desde o século XVI, o índio vem sofrendo diversos atentados contra a vida e sua cultura. O genocídio causado pela colonização diminuiu, segundo o IBGE, em mais de 25% essa população, o idioma – que passou de 1,5 mil para 274 – e os costumes sofreram influências estrangeiras e eram discriminados pelo pensamento eurocêntrico. Nesse sentido, pode-se perceber que há, no Brasil, a persistência de um conflito por terras, protagonizado por indígenas e ruralistas, que gera, junto a outros impactos, a aculturação desses povos - além de estimular sua idealização e estereotipação.

A priori, vale ressaltar que o índio brasileiro não é mais enxergado como figura idealizada, - como era anteriormente no Romantismo - houve uma decadência em relação a sua valorização, tornando necessário que o mesmo lute, atualmente, por terras. Segundo o IBGE, devido a pouca exploração no período colonial, maior parte da população nativa concentra-se no norte e nordeste. Interesses políticos e econômicos ameaçam essas regiões, haja vista que agricultores e mineradores cobiçam tais áreas para fins de atividade comercial: agropecuária e mineração. Tal cenário torna o conflito indígena x fazendeiro cada vez mais comum, como foi possível enxergar, em São Luís, no confronto armado entre os ruralistas e índios gamelas, deixando 13 feridos.

Outrossim, não é só no espaço físico que os indígenas perdem espaço. Por consequência da saída de seu local de origem, o índio brasileiro passa por um processo de aculturação, - forma de transformação cultural promovida por fatores externos - sofrendo influências da cultura globalizada, perdendo assim sua identidade cultural. Ao analisar os livros didáticos, Everardo Rocha - antropólogo brasileiro - chega a conclusão de que os mesmos tratam o nativo de forma estereotipada, haja vista que sempre tratam-o como selvagem, indolente, e perigoso.

Fica evidente, portanto, que tais desafios precisam ser superados. A fim de valorizar a identidade cultural indígena, é necessário que o Poder Executivo em conjuntura com a FUNAI, Fundação Nacional do Índio, não só acelere os processos de demarcações de terras indígenas, como também penalize os não-índios que ocuparem-nas de forma ilegal. Além disso, para reverter os pré-conceitos sobre os nativos, a Escola faz-se importante na formação social do indivíduo, por isso, aulas de sociologia e história são essenciais para promover o debate e aguçar a visão crítica dos jovens. Só assim, ter-se-á igualdade entre todos da nação.