O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 02/11/2017

No início da colonização brasileira, os portugueses chamavam de “guerras justas” o escravismo dos índios, devido à sua indiferença sociocultural, considerando-o como missão civilizatória. Hoje, após anos de violência e renegação, é notório que ainda haja a manutenção desse pensamento etnocêntrico dentro da sociedade brasileira. Tal fato é oriundo não só de entraves educacionais mas também jurídicos.

A princípio, é evidente a necessidade de maior proteção ambiental às áreas indígenas. Segundo o IBGE, 80% da extração de madeira no Brasil ocorre de maneira ilegal. Por conseguinte, delimitações protegidas pelo legislativo são desrespeitadas, o que indica a carência de fiscalização. Além disso, muitos laudos criminosos não chegam a serem processados pelo poder público, seja pela ausência de monitoramento ou pela falta de agilidade.

Outrossim, é primordial destacar a valorização cultural que carece ser trabalhada nas escolas. Segundo a socióloga Hannah Arendt “A maldade deriva da irreflexão”. Paralelo à isso, é conhecido que uma parte considerável da população ainda possui uma visão limitada do que é ser índio, atribuindo-lhes valores obsoletos e ratificados. Nesse sentido, apregoar idéias de igualdade é uma utopia enquanto as instituições escolares não se empenharem para desconstruir essa mazela.

Infere-se, portanto, que essa problemática evoca mudanças para a defesa dos nativos. Para isso, o governo federal, junto ao poder judiciário, deve cumprir as leis existentes através de delegacias especializadas para aprimoramento dos processos criminais. A escola, junto às ONG’s, deve abordar essa situação por meio de palestras e blogs onlines, a fim de democratizar a valorização da diversidade. A mídia, pelo alcance que possui, deve promover a valorização da nossa cultura e instigar denúncias de violências com caráter racista, cumprindo, assim, seu importante papel social. Talvez, dessa forma, a violência e ignorância fiquem no passado e poderemos alavancar nosso caráter, sobretudo, humano.