O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 25/08/2018

O Romantismo brasileiro, escola literária do século XVIII, tinha, entre suas características nacionalistas, a valorização, por mais que idealizada, do índio como herói e como expressão da cultura brasileira. Iracema, personagem escrita por José de Alencar, por exemplo, era a representação metaforizada da beleza e da grandiosidade do Brasil. No entanto, ao se analisar o cenário atual, percebe-se que o respeito à figura indígena é uma realidade longínqua, haja vista que, “despidos” de voz e de terra, esses indivíduos são cada vez mais segregados pela sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, é importante destacar a desvalorização histórica da cultura dos “povos da terra”. Durante o período colonial, o ideário europeu era de “civilizar” os povos das terras conquistadas, tidos como inferiores. Nesse parâmetro, a cultura indígena foi subjugada pelo colonizador, tendo como mecanismos a catequização proposta pela ordem jesuítica e a tentativa de incorporar costumes europeus, tidos como “superiores”, às práticas daquele grupo.Tal lógica de inferiorização cultural mostra-se,ainda,presente no ideário brasileiro, visto que, muitos dos costumes dessa minoria são vistos como “feitiçaria” e antiquados quando comparados com as expressões culturais normatizadas do resto da população.

Outrossim, deve-se destacar a atuação do Estado na ampliação da segregação desse povo. Uma das demandas de um país é ter uma matriz energética que seja capaz de suprir sua população e gerar recursos econômicos. O Brasil, por possuir inúmeros rios de planalto, é um país propício para o uso da água para a produção de energia elétrica. Nesse aspecto, observa-se um intenso esforço político para investir na instalação de usinas hidrelétricas,porém, tal ideário de avanço econômico, muitas vezes, acaba sendo responsável por ferir direitos dos índios brasileiros. Exemplo disso é a construção do complexo de Belo Monte que, segundo dados retirados do “G1”, causou inundação de uma área de 500 quilômetros quadrados, fazendo com que 10 mil famílias indígenas fossem retiradas da área.

Diante do exposto, fica evidente a necessidade de medidas serem tomadas para modificar essa lógica vigente, garantindo a equidade de todos os cidadãos. Em primeiro lugar, como defendia Jugen Habermas, filósofo alemão, o diálogo deve ser usado para discutir questões morais da sociedade. Sendo assim, a escola, importante instituição social, deve, por meio de palestras e rodas de conversa, abordar a questão indígena no período de aulas, enfatizando a importância e diversidade cultural desse povo, a fim de modificar a mentalidade preconceituosa do jovem desde o início de sua formação, formando futuros adultos que busquem compreender a cultura do outro e exigir do Estado, por meio de movimentos ativistas, maior responsabilidade social com o índio.