O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 25/02/2018
Embora em sua carta, Pero Vaz de Caminha enfatiza as feições e as tradições dos nativos, a ofensiva colonizadora afetou drasticamente a cultura indígena brasileira. E infelizmente, tal retrocesso persiste até hoje. Isso porque, tanto fatores culturais quanto políticos atravancam inserção e a garantia de direitos do índio em sociedade.
Em primeiro lugar, antes de tudo, cabe destacar a comum aversão aos povos indígenas e a sua cultura. Segundo o filósofo Nietzsche em sua Teoria do Super Homem, o ser superior seria aquele capaz de libertar-se das amarras sociais, dos valores de seu tempo. Porém, o homem hodierno vai contra isso, uma vez que discrimina e despreza a cultura de outrem. Logo, a intolerância, causada principalmente pela escassez de informações acerca da cultura indígena, fomenta o preconceito e cria-se uma visão estereotipada do índio.
Por outro lado, o conflito de interesses políticos agravam a situação no que tange a demarcação de terras. Isso se deve, a princípio, pela configuração do Congresso Brasileiro que é composto, majoritariamente, por uma bancada ruralista que defende interesses do agronegócio. Dessa forma, muitas demarcações privilegiam esses em detrimento aos indígenas. Em virtude dessa injustiça, eclodem conflitos entre os fazendeiros que protegem suas unidades produtivas, e os índios que reivindicam seu direito de posse à terra para manutenção de sua cultura. Um exemplo que ilustra esse fato, é o caso dos índios da etnia Guarani-Caoiavá no Mato Grosso do Sul que pela ausência de demarcação de terras vivem em beiras de estradas.
Mediante os fatos supracitados, fica claro, portanto a premência da questão indígena no coletivo. Por isso, é necessário que o Estado em especial a FUNAI e o Departamento de Proteção Territorial (DPT) acelerem o processo de demarcação de terras a fim de acabar com os focos de tensão e garantir os direitos indígenas assim como previsto pelo Estatuto do Índio. Além disso, a escola em parceria com o Ministério da Cultura devem através de palestras e práticas permitirem o intercâmbio cultural desde já entre os pequenos, bem como cumprir as diretrizes de ensino na lei de 2009 que estabelece a obrigatoriedade do ensino da cultura indígena nas escolas, para assim instruir sobre a história de tais povos e evitar o preconceito perverso. Já a mídia deve por meio de anúncios e propagandas engajar e informar os cidadãos para incutir o respeito entre as culturas. E só assim, finalmente, garantir o futuro indígena e uma sociedade mais empática.