O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 23/03/2018
Na primeira geração do Romantismo, escola literária do século XIX, o índio tornou-se o símbolo do homem brasileiro. Nessas produções, tais como “O Guarani”, de José de Alencar, o nativo é descrito como herói nacional, representando a originalidade, a braveza e o caráter independente. Entretanto, hoje, o descaso e a negligência para com os primitivos, tem os condicionado a uma situação de invisibilidade.
Tal ofuscamento nasce no discurso estatal. A FUNAI é o órgão indigenista oficial do Estado brasileiro que deveria promover os direitos dos povos indígenas no território nacional. Deveria. Com a desconsideração da autonomia desse órgão - provocada pelo Estado - cresceu a dificuldade para com a preservação desses elementos da cultura local. Com isso, episódios como o de Tabatinga (AM), em setembro de 2017, tornou-se frequente. Nessa cidade, nativos foram massacrados enquanto lutavam por seus direitos. Dessa forma, a proposta de demarcação de terras transfigura-se em utopia.
Outro vetor é a omissão da opinião-pública. Em 2013, a sociedade uniu-se e manifestou em prol do reajuste da taxa do transporte público. Quando se fita o processo de aculturação, não há esse mesmo interesse em se pronunciar, e sim em se acomodar.Existe então, uma incoerência , em que vê-se elementos da tradição nacional se perderem sem nenhum “protesto”. Na verdade, o sentimento expresso pela coletividade ao aborígene é de completo abandono.
Depreende-se, portanto, que é crucial que o sistema educacional interprete a significância cultural do nativo, através de uma didática, para criar um alunado mais consciente e transformador. Por sua vez, cabe à imprensa o olhar de denúncia e a influência à mobilização, por meio de campanhas publicitárias, para que haja reprovação à inadvertência da invisibilidade. Pois, arguir sobre o índio é repensar o próprio país.