O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 21/04/2018
Durante a primeira geração romântica no Brasil, também conhecida por geração nacionalista e indianista, a valorização do índio e a elevação de tal fugura a um aspecto heróico tornou-se característica frequente nas obras desse período. No entanto, quando se observa a questão do índio brasileiro na atualidade, verifica-se que a visão do nativo é totalmente distinta daquela encontrada durante o romantismo. Desse modo, a problemática persiste ligada a realidade do país, seja pela invisibilidade social do indígena, bem como da desapropriação das terras com a ascensão capitalista.
A princípio, é importante notar que a falta de representatividade do índio em sociedade é um fator preponderante pra manutenção do problema. Nesse sentido, para Platão, em seu livro “A república”, uma sociedade ideal seria aquela marcada pela justiça e equidade, logo, totalmente oposta a realidade intríseca ao Brasil, uma vez que apesar da instauração do Dia do Índio e da criação de cotas para índigenas, o país mostra-se omisso diante da população de nativos. A esse respeito, tem-se a pequena taxa de universitários indígenas e a quase que inexistente quantidade de índios em situação de emprego. Tal fato, reflete nos casos de suicídio das comunidades autóctones, a qual cerca de 90% dos casos tem como principal causa a falta de representação dessa parcela populacional.
Ademais, além do fato supracitado, as terras indígenas são palco de uma luta que se dá por razões econômicas em contraponto às questões histórico-culturais. Assim, segundo o geógrafo Milton Santos, por trás de um capitalismo que deu certo, existe, na realidade, um mundo caótico, onde a sociedade hipercapitalista desencadeou inúmeros e graves problemas sociais. Dessa forma, impulsionados pela possibilidade de exploração de terras até então protegidas, grandes companhias agroindústriais e de mineração, tentam, a todo custo, mesmo que de forma ilegal, se apossar das terras que por direito são dos índios. Consequentemente, os indígenas perdem autonomia,ao passo que sem terras, deixam de caçar, plantar e realizar ações que antes eram cotidianas.
Torna-se evidente, portanto, que o impasse relacionado a questão dos nativos permanece imutável, sendo necessária uma intervenção a fim de mudar esse paradigma. Nesse aspecto, o MEC, em cossoância com o Ministério da Cultura, deverão promover palestras ministradas por sociólogos e especialistas da questão indígena com a finalidade de reformular a visão sobre o nativo e trazer em pauta reflexões da importância sócio-cultural desses. Similarmente, o Poder Legislativo deverá enrijecer as leis quanto a questão territórial das reservas indígenas através de uma maior fiscalização do Poder Executivo, de modo a punir os infratores e evitar impasses posteriores. Somente assim, a longo prazo, inspirados nos poetas românticos, teremos um país com uma nova visão acerca dos oborígenes.