O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 01/04/2018
“Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto. O Brasil foi invadido e tomado dos indígenas.”, disse um líder Guarani no seu discurso feito ao Papa João Paulo II, em 1980. Essa frase remete ao período de colonização brasileira, na qual, por meio de forte opressão lusitana, houve a aculturação indígena. Desde tal época até os dias atuais os índios continuam sendo marginalizados e subjugados no Brasil. Isso ocorre, não raro, pelo preconceito, pela omissão governamental, entre outros motivos.
A sociedade brasileira é extremamente miscigenada, porém é preconceituosa e excludente com as minorias desde o passado. No século XVI, quando começou a colonização do país, os portugueses implementaram de forma autoritária sua religião, costumes e regras ao cotidiano indígena, impedindo-os de cultivarem suas tradições, pois os colonizadores acreditavam que a sua própria cultura era superior a qualquer outra. Dessa maneira, gerou-se a ideia de inferiorização desses nativos, dos quais a maioria vive, até hoje, sendo desrespeitada e esquecida.
Ainda vale lembrar que a exploração de recursos hídricos e minerais nas terras indígenas só pode ser feita com a autorização do Estado. Entretanto, muitas vezes, a bancada ruralista expande suas fronteiras agrícolas a regiões destinadas aos índios e realiza a extração ilegal de recursos. Isso, diversas vezes, não é penalizado pelo governo, porque tal expansão remete ao interesse de grandes proprietários agrícolas num país de caráter fortemente agroexportador, ou seja, a economia se sobrepõe, erroneamente, aos direitos indígenas. Um exemplo disso é que atualmente cerca de 315 mil índios vivem fora de suas terras indígenas, segundo pesquisas recentes divulgadas pela mídia.
Dessa forma, é imprescindível que a população indígena seja valorizada no Brasil. A fim de que isso ocorra é necessário que as escolas de todo o país, com o apoio do Ministério da Educação, incluam esse tema no cotidiano escolar, por intermédio de aulas direcionadas, palestras e cartilhas, bem como é de suma importância a participação da família desde as fases mais tenras, por meio de diálogos instrutivos, com o objetivo de combater a disseminação da intolerância contra esses nativos. Ademais, o governo deve punir de forma mais severa aqueles que desrespeitarem os direitos indígenas, como, por exemplo, aumentar as penas de indivíduos que ultrapassem ilegalmente as fronteiras pertencentes aos índios. Além disso, é importante que o processo de demarcação das terras indígenas pela FUNAI ocorra de forma mais rápida e sem fraudes, por exemplo, criando-se uma secretaria destinada somente a esse assunto.