O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 12/04/2018

Povos indígenas: reféns da civilização em pleno século XXI

A expansão territorial humana em conjunto com o forte pensamento etnocêntrico brasileiro de civilização têm colocado em risco a dignidade moral, étnica e cultural dos povos indígenas, além de infringirem o direito das tribos de ocuparem terras que lhes são de direito. Diante disso, nota-se que os índios progressivamente são despidos de voz e dizimados por aqueles que são fruto desses povos.

Primeiramente, em se tratando do assunto em questão, com base em dados atuais, de acordo com o IBGE, existem no Brasil cerca de 305 grupos que se auto identificam como indígenas, os quais falam mais de 274 línguas. Contudo, ainda há uma grande falta de conhecimento e informação a respeito desses indivíduos, contribuindo assim para que uma cultura se sobressaia a outra. Como por exemplo, pode-se citar a língua portuguesa ser oficial e a indígena caracterizada como dialeto, a cultura brasileira ser rica e civilizada enquanto que a deles ser apenas um folclore.

Por último, a demarcação de terras indígenas continua sendo um dos principais problemas que os índios enfrentam, visto que, sob perspectiva política e econômica, há uma luta por parte da bancada ruralista com a finalidade de tomar os territórios dos povos nativos e alocar suas atividades comerciais nesses lugares, o que demonstra um interesse pela obtenção de lucro em detrimento da sobrevivência e perpetuidade dos indígenas. Não obstante, no meio urbano percebe-se a dificuldade recorrente no acesso à saúde, educação e uma série de ações que refletem o preconceito com relação aos índios.

Em virtude dos fatos mencionados, é possível dizer que os índios são vítimas do descaso e da ambição de uma sociedade que escolhe aquilo que lhe é conveniente e torna irrelevante suas origens. Assim, em primeiro lugar, cabe a FUNAI e ao MPF lutarem pela garantia da equidade, principalmente, quando se trata da demarcação de terras indígenas e fiscalizarem a posse das demarcações, penalizando os não índios que ocuparem de forma ilegal. Além disso, as escolas possuem a função de quebrarem estigmas e educarem com base na diversidade étnica, mostrando os obstáculos que as minorias convivem. E por fim, os governos estaduais devem investir em saúde e educação por meio da qualificação de profissionais educativos, da abertura de novas escolas, da compra de equipamentos médicos e da construção de novos hospitais, com o intuito de atender a população em sua totalidade, incluindo os indígenas.