O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 13/04/2018
Pátria injusta, Brasil
No império romano, com o avanço das atividades comerciais, houve uma intensa concentração fundiária nas mãos dos aristocratas. Essa distribuição territorial desigual forçou a imigração desordenada dos camponeses para as cidades, bem como a sua marginalização na sociedade - fotografia fiel ao cenário do Brasil colonial que persiste até hoje: o avanço do capitalismo expulsando os índios das suas terras de origem. Ora, parece que “com os filhos deste solo, tu não tens sido uma mãe gentil; pátria amada, Brasil”.
Nessa perspectiva, emana um caráter econômico. De acordo com o filósofo Rousseau, o mal do capitalismo é a propriedade privada, a qual gera conflito por seu controle. Tal situação respinga na conjuntura vigente à medida que a posse das terras agricultáveis brasileiras têm provocado a diminuição das reservas indígenas , como mostrou o relatório da ONG “SOS-Mata Atlântica” ao comprovar a perda de 80% da vegetação original e de 70% das tribos que existiam no século XVI. Logo, o conflito não é somente contra pessoas - é contra o meio ambiente.
Por outro lado, emerge um frágil suporte estatal. Assim como aconteceu com os plebeus em Roma, vem acontecendo com os tupiniquins no presente: conquistaram-se direitos; entretanto, eles não saíram do papel. O Estatuto do Índio, criado em 1973, prova isso; uma vez que assegura a proteção das áreas indígenas e as invasões nelas aumentam a cada dia - talvez, em razão dos grandes latifúndios pertencerem a políticos, os quais controlam o poder legislativo e bloqueiam a execução efetiva do estatuto, como relatou o livro “Partido da Terra” do jornalista Alceu Castilho. Em suma, seria fundamental que o Poder Executivo ,mediante fiscalização e multa a quem desrespeitasse o legislação, fizesse valer as normas a fim de restituir a paz tirada dos nativos desde o descobrimento do Brasil.
Depois de tanto sofrimento e humilhação, esses povos aborígenes merecem reconhecimento e valorização, mas para que isso ocorra é preciso também a contribuição de ONG’s e da escola. À medida que aquelas deverão desenvolver uma figura pública para defender os direitos dos índios - assim como Xuxa Meneghel e Maria da Penha fizeram, ou seja, difundir os ideais em canais televisivos e redes sociais. Esta, como agente transformador, aguçará o senso crítico dos alunos através de debates e palestras com objetivo de pautar a figura do índio como cidadão e desmistificá-la do folclore. Dessa forma, o país demonstraria seu respeito diante das injustiças já cometidas contra os nativos e faria jus ao que o próprio hino brasileiro afirma: “Brasil / um raio vívido de amor e esperança à terra desce”.