O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 16/04/2018

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão indígena no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelas falhas na lei, seja por heranças históricas no âmbito escolar e familiar. Nesse sentido, convém analisar as principais causas dessa patologia social.

É indubitável que a questão constitucional esteja entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Contudo, o avanço do Agronegócio sobre as terras indígenas no Norte e Centro-Oeste rompe com essa harmonia aristotélica, haja vista que há pouca fiscalização governamental, segundo a Fundação Nacional do Índio, com intuito de proteger os territórios demarcados e, consequentemente, há perda cultural e a própria identidade brasileira torna-se ameaçada. Dessa maneira, fica visível o desacordo da lei com o pensamento do grego Aristóteles.

Outrossim, destaca-se a invisibilidade social como impulsionador da problemática. De acordo com o sociólogo Durkheim, a educação é a principal ferramenta de coesão social. Todavia, historicamente, tanto os pais quanto as escolas pecam ao tratar o índio em separado, de forma superficial e, não raro, fantasiosa e assustadora aos pequenos, motivos que impulsionam o preconceito e a discriminação aos indígenas desde a infância, visto que não existe uma educação especial voltada ao reconhecimento desse segmento.

Logo, torna-se inevitável a aproximação entre a realidade atual com o ideal iluminista. É evidente, portanto, que há ainda entraves para garantir a solidificação de políticas e de maneiras de pensar para a construção de um país mais justo e tolerante. Destarte, urge que o Congresso Nacional crie leis rígidas, capazes de julgar e condenar o avanço do Agronegócio sobre terras indígenas, como objetivo de manter viva sua cultura e suas tradições. Ademais, é imprescindível que a comunidade escolar, em parceria dos pais, desde cedo, realizem debates, palestras e brincadeiras que possam transmitir aos futuros cidadãos a necessidade de respeito em relação à população indígena, a fim de que a discriminação seja erradicada para o bem viver dessa parcela social. Só assim a sociedade poderá progredir em todos os âmbitos conforme expõe o ideal iluminista.