O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?

Enviada em 13/09/2019

Durante sua campanha, o atual presidente Jair Bolsonaro indicou seu posicionamento a favor da maior liberação do uso de armas por cidadãos comuns. A partir dessa opinião, levantaram-se questionamentos sobre a relação do número de pessoas com porte de armas de fogo e o número de mortes desnecessárias causadas por elas. Portanto, deve-se compreender de quais formas o descuido dos portadores e sua falta de preparação psicológica causam essa associação a fim de que se proponham medidas com o intuito de solucionar o problema.

Em primeiro plano, convém ressaltar que qualquer imprudência no manuseio de armas, seja ele ativo (durante o disparo) ou passivo (ao guardá-la), pode ser fatal. Por exemplo, o ato inconsequente de um pai no Amazonas o qual deixou sua arma carregada e em uma posição onde seus filhos poderiam alcançar. Como consequência, uma das crianças pegou a arma e , durante uma brincadeira com o irmão, realizou um disparo e o matou. Destarte, percebe-se que o portador de arma deve ser extremamente cauteloso para que se possam prevenir acidentes como o mencionado.

Além disso, a inaptidão psíquica de muitas pessoas para lidar com situações de pressão e estresse pode ser, também, um fator ocasionador de incidentes. Como ilustrado em um dos episódios da série “Scandal”, quando um governador, ao descobrir a traição de sua esposa com um de seus funcionários, resolve comprar uma arma e assassiná-los. Nesse contexto, analisa-se que habilidades relativas a inteligência emocional e resiliência são imprescindíveis ao verificar a capacidade de uma pessoa ser , ou não, confiável para se ter o porte autorizado.

Logo, chega-se a conclusão de que a problemática não está no uso de armas em si, mas sim nas pessoas a quem esse uso é autorizado. Dessa forma, cabe a Polícia Federal, por meio de avaliações psicológicas mais rigorosas e treinamentos na manipulação - não só ativa, mas também passiva - do armamento, restringir a concessão do porte somente àqueles que demonstrarem as valências necessárias. Ademais, os testes devem valer por menos tempo e serem refeitos com frequências maiores, para garantir que os portadores estejam sempre preparados para lidar com as responsabilidades de carregar uma arma. Assim, o porte de arma passará a ser mais associado à proteção individual e menos a problemas de segurança coletiva.