O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?
Enviada em 18/10/2019
Tinha uma desigualdade no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma desigualdade.
É indiscutível que vive-se hoje numa sociedade imediatista. A qual busca resolver os problemas de forma imediata, mas comumente errada. De forma análoga, deve-se pensar sobre o armamento civil, e principalmente o porte de armas. Há quem defenda sua eficácia no controle da violência e em especial de crimes como latrocínio. No entanto, tal pensamento vai de encontro a dados levantados no Brasil. Assim, medidas de prevenção, das causas que levam a violência, seriam mais efetivas.
De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil encontra-se no ranking mundial de homicídios por arma de fogo, e cerca de 40% dos tiros que matam são disparados por armas registradas legalmente, a maioria obtidas em assaltos. O fato é que armas não possuem funcionalidade distinta, senão tirar vidas. Desse modo, liberar o porte de armas geraria o extremo oposto de controle da violência. Pois, com a necessidade de solução rápida para os problemas/questões que surgem e o despreparo emocional da sociedade, um simples conflito, como briga de trânsito, discussão familiar ou até mesmo uma discussão por um lugar na fila do caixa do supermercado, tornar-se-ia uma barbarie.
Outro fator existente é a reação em crimes de roubo. Segundo estimou o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, um cidadão armado tem 56% mais risco de morte durante um assalto. Já que, o assaltante possui muito mais “preparo” em assaltar, do que a vítima em reagir. De modo que, o criminoso levará não só os pertences da vítima, incluindo a arma que será utilizada para roubos futuros, enquadrando-se na pesquisa do MJ. Mas também, a vida dessa vítima. Segundo o Banco Mundial, o Brasil encontra-se entre os 10 países mais desiguais no mundo, e o índice de criminalidade aumenta quanto maior for a desigualdade social do país. Assim, uma solução eficiente contra a violência encontra-se na maior redução possível dessas desigualdades.
Portanto, para a real diminuição dos índices de violências, a desigualdade deve ser vista como uma pedra no meio do caminho, de modo alusivo ao poema de C. Drummond. Isto é, Governos Federais e Estaduais unidos ao Congresso, devem criar políticas públicas contra a desigualdade. A partir da ampliação de vagas de emprego, em instituições. públicas e privadas. Bem como, o aumento da oferta de cursos profissionalizantes, principalmente nas periferias urbanas. A fim de promover maior empregabilidade no futuro próximo. Tais ações são efetivas, pois reduzem a desigualdade e também a violência, a médio e longo prazo.