O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?
Enviada em 21/10/2019
Em um dos episódios da série de televisão “Além da Imaginação”, os moradores de uma vizinhança, ao se depararem com uma súbita falta de energia e uma ameaça incerta, não conseguem resolver a situação em conjunto e, consequentemente, iniciam um massacre entre si, devido não só à falta de confiança que nutriam uns pelos outros, mas também à propensão de solucionar tudo através da força. Fora da ficção, pode-se fazer uma analogia entre esse enredo e o atual debate sobre o livre porte de armas no Brasil, o qual os defensores afirmam que pode reduzir os níveis de violência. Contudo, a legalização dessa prática seria um retrocesso, pois consiste no combate à criminalidade através do belicismo. Ademais, tal liberação dificultaria o trabalho policial.
Mormente, faz-se necessário desmentir a ideia de que armar um cidadão o tornaria seguro. Hodiernamente, a sociedade brasileira enfrenta números de violência altíssimos, só no ano de 2018 houver 57.341 assassinatos, segundo uma notícia do jornal “O Tempo”. O latrocínio é uma das mais recorrentes causas de morte, logo, não seria o porte de armas que diminuiria esses índices, pois, apesar de oferecer ao indivíduo a oportunidade de reagir a um assalto ou crime parecido, essa atitude é extremamente temerária e não recomendável, devido ao risco de vida que ela proporciona. Portanto, é infundada a concepção de que o belicismo individual pode proteger alguém da criminalidade.
Outrossim, o “jus puniendi” do Estado estaria ameaçado, já que as pessoas se veriam em condição de fazer justiça para se proteger. Segundo Thomas Hobbes, o papel da instituição estatal é manter a ordem e para isso ele precisa de seu poder de coerção soberano. Analogamente, é mister que a polícia, o exército e os demais órgãos de segurança do governo detenham o poder armamentista para garantir seu funcionamento. Desse modo, é possível dizer que o trabalho policial seria gravemente afetado por essa alteração na lei, pois estaria dispondo dos mesmos recursos para combater a criminalidade que qualquer civil portador de arma.
Assim sendo, para resguardar a segurança do cidadão, sem fazer uso de soluções sangrentas como a tratada, é preciso reduzir os níveis de violência através do melhor mecanismo de transformação: a educação. Portanto, o Ministério da Justiça e o MEC devem criar um programa que, por meio de uma alteração na Lei De Diretrizes E Bases, proporcione aos educandos, desde o Ensino Fundamental, aulas sobre planejamento de vida e convivência em sociedade, com o intuito de formar indivíduos mais preparados socialmente, diminuindo, desse modo, as evasões escolares, uso de drogas ou demais fatores que levam os jovens à criminalidade atualmente. Tal atitude governamental evitaria que a população brasileira terminasse como os personagens de “Além da Imaginação”.