O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?
Enviada em 27/10/2019
O ser humano, diferente de outros animais, é desprovido de estruturas biológicas que forneçam vantagens em combates. Nessas condições, os primeiros hominídeos elaboraram ferramentas, a fim de equilibrar forças nas caçadas para obter alimento. Porém, atualmente, o conceito de arma desfigurou-se da ideia primária, passando a ser usadas como artefato de violência. Nesse cenário, é necessária a análise dos impactos e consequências da flexibilização de armas no Brasil.
A priori, segundo a revista Veja, os países com as maiores taxas de homicídios são também aqueles que possuem o maior número de armas por habitantes, como por exemplo a Guatemala, quinto país mais violento do mundo. Dessa maneira, armas são ferramentas fomentadoras de violência, a qual é, segundo Jean-Paul Sartre, sempre uma derrota, independente da forma como se manifesta. Assim, a liberação do porte acarretaria uma derrota coletiva da sociedade, aumentando o número de mortes, assim como diminuindo o bem-estar geral da população.
A posteriori, deve-se discorrer sobre o papel da indústria do entretenimento na manutenção da cultura armamentista. É válido observar que, séries televisivas, novelas e filmes demonstram as armas atreladas a personagens influentes, poderosos e invencíveis, como no filme Rambo: Até o fim. Dessa forma, cria-se uma visão romântica sobre o armamento, incitando o desejo dos indivíduos de possuí-lo. No entanto, saindo das telas do cinema, as armas estão atreladas à acidentes envolvendo crianças. Prova disso é o dado da ONG World Free Gun, o qual mostra que revólveres são a segunda forma que mais vitimam crianças em acidentes. Nesse panorama, flexibilizar o porte, também significaria aumentar o número de desastres envolvendo os pequenos.
Destarte, é fundamental que a flexibilização do porte de armas não ocorra. Para tal, faz-se necessário que o Poder Legislativo opere negando qualquer lei que possua viés complacente com os equipamentos bélicos. Somado a isso, outra medida paliativa cabe à mídia trabalhar de forma a eliminar a visão romantizada sobre tais equipamentos, visando desestimular o desejo dos cidadãos de possuírem-no. Por fim, cabe à educação ensinar aos jovens e adolescentes que a cultura armamentista desencadeia um cenário de mais violência e mortes, a fim de conscientizá-los. Nesse cenário, a sociedade brasileira irá tornar-se uma sociedade segura, harmoniosa, bem como vitoriosa.