O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?

Enviada em 11/03/2020

No filme brasileiro Bacurau, dos diretores Kleber Mendonça e Juliano Dorneles, existe uma placa na entrada da cidade de mesmo nome com os dizeres “Se for vá na paz!”. Essa frase nos lembra sobre a recorrência da violência no país, muito disso se deve a banalização do acesso a armas que pode ser intensificado com a liberação do porte por civis, sendo um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela responsabilidade social.

A priori, é incontestável que a inoperância estatal esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que garantem a investigação do uso de armas em crimes não é incomum que ocorram delitos realizados com armas compradas pelo próprio Estado.Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado, nesse sentido, escolhe quando investigar mais a fundo crimes violentos distribuindo violência e trauma seguindo estritos critérios sociais e principalmente raciais.

Outrossim, destaca-se a cultura de violência e exterminação seletiva de uma parcela da sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, não compreende as consequências do embate violento da criminalidade, além da falsa sensação de segurança que o porte de armas causa. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato se reflete na divisão social entre aqueles que querem o direito de viver e os que querem o direito de matar.

Diante desse cenário, é mister que o Estado amplie as políticas públicas de investigação dos crimes a mão armada, por intermédio da criação de uma secretaria própria para o tema dentro da polícia civil, a fim de identificar a raiz do problema e proporcionar segurança pública.. Além disso, as instituições de educacionais devem orientar a população a responsabilidade do uso da violência no combate ao crime, por meio de campanhas de conscientização vinculadas nos principais meios de comunicação, para que, assim como em Bacurau as armas no futuro fiquem apenas nos museus.