O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?
Enviada em 14/08/2020
786.000 mortes em 15 anos. 143 por dia. 6 por hora. 1 em cada 10 minutos. Esses são os dados do documentário “A Guerra no Brasil”, que aponta a violência, principal causa e consequência desta discussão, evidente em um país onde 71% dos homicídios registrados foram feitos por armas de fogo, de acordo com o Atlas da Violência. Se o número de mortes é evidente, a educação social social é precária, e a segurança é falha, surge a pergunta: o livre porte de armas deve ser permitido no Brasil?
Primeiramente, é importante ressaltar o artigo 5 da Constituição, que afirma que a segurança pública é direito de todos e dever do Estado. Todavia, se falta segurança, a discussão sobre armamento civil é colocada em pauta, seja por medo de viver em um país tão marcado pela criminalidade, ou por questões de “defesa pessoal”, argumento que não é valido. Se o indivíduo necessita de armas de fogo para se defender da violência urbana, já não é questões individuais, mas cabe ao Estado oferecer segurança e educação, sendo essa fundamental, não somente para o engajamento acadêmico ou profissional, mas capaz de formar seres pensantes, indivíduos melhores, como cita Pitágoras: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”.
Outrossim, ainda de acordo com o documentário “A Guerra no Brasil”, no ano de 2014 houve aproximadamente 60.000 mortes, sendo esse número maior que todos os homicídios da América do Sul somados. Com o livre porte de armas, esse número aumentaria, pois há uma associação errada de que mais armas geram menos violência. Conforme uma reportagem da British Broadcasting Corporation (BBC), os Estados Unidos são o país que mais civis possuem armas de fogo, consequentemente, compõe uma das maiores taxas de homicídios do mundo, sendo 11 mil assassinatos só em 2016.
Fica evidente, portanto, que o Brasil não está preparado para permitir o armamento civil. O poder público e as escolas devem, por meio de projetos sociais e voluntários, disponibilizar psicólogos, professores, assistentes sociais e palestrantes em todas as esferas sociais, na finalidade de educar a sociedade desde cedo, mantendo a proximidade entre as famílias e as instituições de educação, recorrendo a campanhas de conscientização contra violência, também com o apoio da mídia como difusora do conhecimento e da informação, disponibilizando assim, dados e informações sobre as consequências do livre porte de armas. Entretanto, oferecer segurança é dever do Estado, não do cidadão. Decerto, os verdadeiros representantes do atraso no nosso país são aqueles que se pautam por visões preconceituosas e atrasadas de “progresso”. Se a construção da sociedade e o bem comum forem a razão primordial de cada cidadão, discussões como “porte de armas” não serão necessárias.