O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?

Enviada em 26/02/2021

Atualmente, a alta taxa de violência no Brasil é um dos temas mais discutidos nacionalmente, envolvendo assuntos como segurança e bem-estar público. Revolve em torno desta problemática, a questão da liberação do porte de armas de fogo para os cidadãos a ser uma possível maneira de enfrentamento da violência pela população. No entanto, existem levantamentos que destacam justamente o contrário: em países armados, tende-se a crescer a violência, enquanto em países desarmados, a tendência é a sua diminuição.

Daniel Cerqueira, diretor do Instituto de Pesquisa Econômica aplicada (IPEA) apontou que, por conta da implementação do Estatuto do Desarmamento em 2004, cerca de 121 mil homicídios foram evitados no Brasil, diminuindo também a taxa de crescimento de assassinatos – dado do Mapa da Violência de 2014. Ademais, a revista VEJA concluiu que o aumento de um porcento da quantidade de armas de fogo em um a país corresponde ao crescimento de dois porcento no número de morte em decorrência da violência armada. Portanto, considerando as informações supracitadas, afere-se que uma eventual liberação do porte de armas para combater a violência configurar-se-ia como um verdadeiro “tiro no pé” da população. Entretanto, existem aqueles que seguem na contramão das evidências e advogam a favor de armar o povo, apoiando-se no negacionismo e conservadorismo exacerbado trajado de bons costumes.

O exemplo mais proeminente desta corrente de pensamento é o atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, que ao defender a melhora da segurança e redução da violência no Brasil, traz consigo jargões como “Bandido bom é bandido morto”, em uma clara contradição de valores e ideias: findar a violência utilizando-se da própria violência.

Em síntese, para sanar o problema da violência na sociedade brasileira de hoje é necessário que o Governo Federal, em conjunto com os órgãos competentes das esferas estaduais e municipais, se organize e trabalhe com medidas a curto prazo e longo prazo. De imediato, é essencial que se aumentem os investimentos no corpo humano e estrutural das áreas de justiça e segurança do país – solvendo carências logísticas e infraestruturais-, assim como o endurecimento da lei como medida preventiva e punitiva para crimes. E, Por fim, investir no acesso expandido à educação e na geração de empregos, para que os jovens se tornem cidadãos cultos e críticos, que não precisem recorrer à mercados ilegais, como o crime, para sobreviver.