O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?

Enviada em 14/05/2021

Consoante a visão do filósofo Aristóteles, a política se sobressai em relação às outras, ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, no limiar do século XXI, esse pensamento não condiz com a realidade brasileira, uma vez que as pessoas, por não se sentirem seguras, apelam para a permissão do livre porte de armas no país. Nesse contexto, deve-se analisar a análise não só o imperativo do individualismo, mas também a negligência governamental, como corroboradores desse imbróglio.

Em primeira análise, é cabível ressaltar que o individualismo se sobrepõe em detrimento do coletivismo. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações são efêmeras e não foram feitas para durar. Sob esse viés, é notório salientar que com a permissão do porte de armas no Brasil, qualquer desentendimento, ou conflitos de ideologias, para pessoas que, em momentos de fúrias e estresses, usam a violência como solução, seria algo extremamente preocupante e lamentável, posto que, provavelmente o número de homícidos iria aumentar de maneira exponencial. Dessa maneira, percebe-se que com a aceitação do porte de armas a violência cresce, dado que a sociedade hodierna, não possui uma educação necessária para administrar a própria segurança, visto que os interesses pessoais prevaleceriam perante à justiça.

Soma-se a isso, a negligência governamental no que tange à falta de sensação de segurança que a população sente, o que a faz querer resolver os problemas com as próprias mãos. Segundo o contratualista John Locke, as pessoas cedem parte da sua liberade individual ao Estado, para que este possa garantir o cumprimento dos direitos coletivos. Todavia, é perceptível que nem essa ideia iluminista, nem o dever do Governo Federal em garantir o acesso incontestável à segurança é devidamente aplicado, uma vez que a Nação deixa a desejar com relação à qualidade da proteção de segurança ao cidadão. Com isso, uma incumbência do Estado sendo dada a cargo da população que não possui nenhuma educação para esse tipo de situação, não traz sensação de segurança, mas sim uma ameaça as pessoas que vivem em sociedade.

Logo, entende-se que essa problemática urge por medidas interventivas, pois fere com a Lei Máxima. Dessa forma, é dever do Ministério da Educação valorizar o âmbito estudantil, como forma de preparar as pessoas para futuros conflitos de opinões, por exemplo, a não usarem a violência, além de oferecer materiais que abordem os direitos de, inclusive o de acesso à segurança, tendo como objetivo tornar as pessoas mais sensatas e evitar problemas futuros. Cabe ao Estado, ampliar as fiscalizações, e reformular algumas leis que deixam brechas, causando sensação de insegurança de alguns. Assim, é possível alcançar uma sociedade que esteja para o exercício do bem coletivo, como pautava Aristóteles.