O livre porte de armas no Brasil deve ser permitido?

Enviada em 23/06/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De forma análoga ao trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que essa pedra é um obstáculo, assim como se proteger legalmente no país. Por se tratar de um assunto bastante relevante, é indubitável que essa problemática precisa ser analisada de maneira mais séria e organizada. Isso se evidencia não só pela ineficácia do Estatuto do Desarmamento, mas também a ausência de efetivos da segurança pública.

Primordialmente, vale destacar que, nos últimos anos, as normas jurídicas não foram capazes de controlar a criminalidade no Brasil. De acordo com o Estatuto do Desarmamento, promulgado em 2003, afirma que é proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, exceto para as autoridades competentes. No entanto, isso não é cumprido por alguns indivíduos da sociedade, sobretudo, os criminosos, uma vez que o número de armas apreendidas cresceram, segundo a emissora Globo. Ademais, consoante o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, em sua obra “A Lei e a Ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras de comportamento das pessoas perdem sua validade. Desse modo, em paralelo ao pensamento de Dahrendorf, nota-se que as normas do Estatuto do Desarmamento estão em cenário de anomia, visto que não condizem com a realidade no Brasil.                  Além disso, outro aspecto relevante é a lacuna de servidores públicos na área de segurança, isto é, há um déficit de proteção em todos os Estados brasileiros. Perante Thomas Hobbes, filósofo inglês, afirma que é dever do Estado garantir o bem-estar social, especialmente, a segurança dos indivíduos. Nesse sentido, diante do Código Penal brasileiro, o ser humano é permitido agir em legítima defesa de si ou de outrem. Entretanto, diante de um cenário com um criminoso, o cidadão, o qual cumpre a lei, não possuem meios para se defender, posto que no Brasil não é legalmente permitido a utilização de armas. Desse modo, é fato que, com a ausência do porte de armas, torna-se inviável a ação permitida no Código Penal.

Ao parafrasear Dahrendorf, visto que as normas encontram-se em situações de anomia, é necessário que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Portanto, urge que o Governo Federal legalize o porte de armas para a população, por meio de exames de capacitação dos indivíduos ao realizarem testes psicológicos e práticos, com o intuito de utilizar em legitima defesa em situações em que não houver a presença de autoridades competentes. Somente assim, o cidadão possa se defender em casos de emergências, e finalmente, a pedra citada por Drummond, seja removida e solucionada.