O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 10/09/2019
O filme da Disney “Wall-e” conta a história de um robô que vive sozinho no planeta Terra já que toda humanidade, devido ao excesso de poluição e lixo, foi para outro lugar. Nessa perspectiva, fora do espaço cinematográfico, o Brasil enfrenta grandes problemas relacionados ao consumo exacerbado que acarreta numa grande produção de detritos. Verifica-se, portanto, que a precária educação sobre reciclagem e sustentabilidade somada à pandemia consumista são desafios para vencer esse impasse.
Em primeiro lugar, é imprescindível destacar que o modelo de vida da população foi drasticamente modificado após a implantação do modelo taylorista de produção. Desse modo, em que considera-se a baixa durabilidade dos produtos e suas diversas variações, as pessoas começaram a adquirir objetos de uso momentâneo sem a preocupação com o destino final do produto o que, consequentemente, colabora para o aumento de lixo. Com o fito de comprovar esse comportamento, segundo os dados do Panorama de Resíduos Sólidos, o Brasil produz anualmente 71,3 milhões de toneladas de detritos urbanos, isso demonstra, por conseguinte a urgência de uma mudança de comportamento.
Vale ressaltar, ainda, que a falta de elucidação das massas sobre reciclagem e separação de lixo é muito presente na sociedade brasileira, apesar de ser um assunto recorrente na mídia. Embora indivíduos escutem muito sobre a importância dos impactos que o descarte inadequado de detritos pode causar nas cidades, a falta de uma participação efetiva e de entendimento sobre os processos de separação de lixo – ação que poderia ser ensinada nas escolas - impede a população de sair da inércia e modificar seu comportamento em busca da sustentabilidade. Logo, é possível perceber que as lixeiras separadas em shoppings ou espaços públicos não são usadas corretamente, visto que encontra-se vidro no lugar de descarte de lixo orgânico, por exemplo. Ou seja, para que a questão seja resolvida e deixe de ser um trabalho de Sísifo – história mitológica referente ao deus condenado a fazer um trabalho repetitivo, mas sem resultado efetivo – é preciso perceber que a chave esta além do poder governamental e da mídia.
Por isso, é preciso considerar a Educação como ferramenta principal para superar esse impasse. Cabe às escolas, portanto, investir em aulas que ultrapassem a visão conteudista em que objetiva-se, por meio de palestras com profissionais qualificados como geógrafos, mostrar os impactos do descarte inadequado de detritos e como fazê-lo adequadamente mediante a atividades experimentais. Dessa forma, desde a tenra idade, a população saberá separar o lixo e desenvolverá um senso de sustentabilidade - já que conhecerá os riscos reais da poluição - o que conseguirá também frear os anseios consumistas colaborando para que a realidade não seja semelhante a de “Wall-e”.