O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 24/08/2019

O filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, em “44 cartas do mundo líquido moderno” afirma que a sociedade atual está vivendo sobre uma “bomba-relógio” de cunho demográfico, econômico e ecológico. Desses aspectos, destaca-se o impacto negativo que a destinação incorreta do lixo apresenta, colaborando para a catástrofe ecológica anunciada pelo autor. Desse contexto emerge-se discussões acerca da perpetuação desse cenário no Brasil e seus possíveis danos na formação de novas problemáticas. Nesse sentido torna-se vital adotar uma postura de reformulação dos mecanismos de destino do lixo no país levando em conta seus danos, tanto ambientais, quanto sociais.

No que concerne ao primeiro ponto, é relevante discutir que a destinação do lixo descortina a histórica negligência adquiridas pelas temáticas ambientais no país. Para dar luz a essa ótica, o historiador Yuval Harari, em “Homo Deus”, lamenta que, quando é posto em escolha o crescimento econômico e a preservação ambiental, políticos e empresários escolhem o primeiro em detrimento do segundo, ocasionando o desequilíbrio ecológico. A partir disso, infere-se que a construção de centros de destino de resíduos sólidos ou elaboração de políticas de destino e reciclagem do lixo são deixadas à parte da sociedade, em contraste com o fomento do consumo em massa fornecido pelos governos para movimentar a economia, por fim, envolvendo a sociedade em uma geração excessiva de lixo.

Já em relação ao segundo ponto, é coerente pensar na influência do lixo em problemáticas sociais como na geração de doenças, na construção de cenários insalubres e na desvalorização da pessoa humana. No tocante a isso, o humanista Thomas Morus, em sua sociedade idealizada retratada em “A Utopia” defende que os homens prudentes previnem-se do mal, evitando a dor antes de recorrer aos alívios. Posto isso, observa-se que no Brasil a sociedade não busca essa prudência, uma vez que, ao se perpetuarem estruturas insalubres de destinação de lixo, como lixões a céu aberto, aumenta-se a incidência de males que atingem a sociedade. Assim, em uma sociedade na qual o consumo se dá de modo muito mais intenso, ocorrerá intensificação de pragas, doenças, contaminação de águas e solos.

A par do que foi apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de mitigar os danos causados pela geração excessiva de lixo no Brasil. A respeito disso, é cabe ao Ministério do Meio Ambiente, por ser esse o órgão responsável por administrar questões de impacto ambiental, o cumprimento de medidas de destino do lixo apontadas no Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Isso pode ser feito por meio da substituição de lixões por aterros sanitários e políticas que orientem a população sobre o consumo e descarte consciente,  em mídias tradicionais e nas redes sociais. Tudo com o objetivo de reduzir as problemáticas sociais e ambientais oriundos da sociedade consumista.