O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/08/2019

Com o advento da urbanização, o capitalismo se estabeleceu como um sistema homogêneo em nível mundial, de modo que, o consumismo foi estimulado, se tornando intrínseco no meio social. Nesse aspecto, é notório que o estabelecimento dessa cultura de consumo não é apenas uma questão individual, e sim coletiva, com impactos ambientais e governamentais. Tendo isso em vista, deve-se entender melhor o contexto atual para que os impactos mencionados sejam amenizados no Brasil.

Antes de tudo, cabe mencionar que a cultura consumista é um dos principais expoentes que mantém a problemática persistente no meio. Segundo o filósofo Hegel, a cultura impõe determinada visão de mundo, em que seus fins são impessoais e coletivos. Acerca dessa premissa, o crescimento de lixo no Brasil é, sobretudo, reflexo deste apreço consumista contemporâneo tão presente na vida social, uma vez que essa é a resposta ao atendimento de demandas populacionais, especificamente de bens de consumo pouco duráveis, os quais, em sua grande maioria, são envoltos em embalagens que incitam a renovação e descarte das mesmas. Portanto, sem que haja práticas de descarte correto, o ciclo de problemas como poluição nas cidades, rios e mares, será alimentado, de maneira a sequenciar doenças na população.

Ademais, o não fortalecimento de condutas sustentáveis caracteriza-se como fundamental no atraso ao revertimento da questão em discussão. De acordo com o pensamento durkheimiano, a sociedade prevalece sobre o indivíduo, pois quando este nasce, tem de se adaptar às normas já criadas, como leis e costumes. Sob esse viés, o costume de práticas insustentáveis, como desperdício e do descarte ao lixo em locais não propícios, são frutos, essencialmente, do costume social, já inerte, de não atentar-se ao meio ambiente em pequenas atitudes diárias. De maneira a qual, se não houver o fortalecimento da consciência dos problemas ambientais por meio dos seus atos, a contribuição para o ciclo vicioso de práticas que fortalecem a engrenagem da superprodução e acumulação do lixo no país, será efetuada.

Diante do exposto, é evidente que medidas devem ser tomadas para contornar a situação de lixo no Brasil. Em decorrência disso, o principal condutor de mudanças concentra-se nas mãos da população, a qual, em núcleo familiar, deve introduzir práticas sustentáveis como coleta seletiva, instrução ao descarte adequado e prezar pelo cuidado consumista ambiental, como não optar pelos descartáveis. Além disso, cabe ao Governo e as empresas, em uma parceria pública-privada, procurarem solidificar o conceito de sustentabilidade, com a firmação de ideias eco sustentáveis, como renovação de embalagens para reutilizáveis e/ou biodegradáveis. Com isso, espera-se que a renovação construtiva do pensamento social seja imprescindível na regularização do ciclo do lixo.

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