O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/08/2019
Em Wall-E, uma produção cinematográfica das empresas Disney Pixar, o planeta Terra foi dominado pelo lixo, erradicando qualquer forma de vida no local. Essa retratação, embora fictícia, ecoa na contemporaneidade como uma forma hiperbólica de representar a realidade: uma sociedade baseada no consumo estabelece uma relação direta com a quantidade de resíduo liberada na natureza, e tal cenário pode prejudicar gravemente o modo de vida humano conhecido.
Primeiramente, sob a ótica sociológica, o fato de a sociedade de consumo influenciar diretamente na produção de lixo é fomentado pelo aumento gradativo da presença do capitalismo na vida pessoal de todos os indivíduos. Esse paradigma decorre de um constante incentivo ao modelo de consumismo, que desenvolve uma negligência ao tópico ambiental, e que leva, por exemplo, ao esgotamento dos recursos naturais, fator agravado pela compactuação da população com tal panorama. Nessa perspectiva, Hannah Arendt, uma das maiores filósofas do século XX, reflete que o mal é produzido pelo homem e gera uma trivialidade de aspectos negativos por parte da humanidade, em clara correlação com a problemática. Dessa forma, o acúmulo de dejetos passa a ser visto como uma banal consequência pelo povo, que se aprofunda em um panorama de ignorância e alienação.
Em paralelo, em semelhante proporção, outro fator que corrobora para a perpetuação da dicotomia evidente na problemática é a ineficiência do Estado. Esse acaba não dando a devida atenção a como trabalhar a questão do consumismo e sua influência na dinâmica social, assim como seus efeitos na sociedade. Isso pode desenvolver cenários de problemas ambientais e problemas à população, que não recebe orientação para lidar com o lixo e seus possíveis efeitos, panorama intensificado pela secundarização de pautas importantes pelo governo. Assim, o povo brasileiro se introduz em um cenário de desequilíbrio e risco às suas vidas, como a proliferação de doenças e aumento da poluição.
A ineficiência do Estado, juntamente com o sistema econômico vigente, portanto, corroboram para a direta relação contemporânea entre o lixo e a sociedade de consumo. Assim, o Poder Executivo Federal, sob a forma do Ministério do Meio Ambiente, eu atua na conservação e defesa dos bens naturais do país, deve, a fim de combater o grave cenário da problemática, promover políticas públicas de visibilidade à questão da deposição de dejetos, por meio de campanhas de conscientização, as quais evidenciarão as graves consequências acerca da cultura do consumismo, Além disso, é necessário que haja a construção de um órgão ou empresa pública que dinamize a atuação quanto aos resíduos para que se minimizem os riscos de vida do povo. Dessa forma, construir-se-á uma sociedade pautada na dignidade e na justiça social.