O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 27/08/2019
Na capital paulista são coletados cerca de 14 milhões de quilos de lixo diariamente , mas menos de 15% é reciclado, enquanto os outros 95% são desperdiçados, ocupando cada vez mais espaços nos aterros e lixões. Tal fato é consequência da sociedade de consumo no Brasil , que, em contraste à precariedade em que as camadas mais baixas se encontram, vive um contexto de consumo irresponsável daqueles que são privilegiados financeiramente, gerando cada vez mais lixo, que por sua vez, só é visto como problema quando passa a ocupar espaços nas residências.
Tal contraste foi ilustrado pelo artista plástico Vik Muniz, em seu documentário “Lixo Extraordinário”, retratando as toneladas de descarte no aterro de Duque de Caxias e as precárias condições de trabalho dos catadores desse aterro, que dependem do lixo para sobreviver. Dessa forma, percebe-se que a reciclagem é capaz de oferecer muitas vantagens, como por exemplo, permitindo que os trabalhadores dos aterros vivam condições de vida menos miseráveis, além de amenizar o desperdício, permitindo assim que os lixões e aterros abriguem somente aquilo que realmente não pode ser reaproveitado.
Entretanto, o consumismo persiste, agravando ainda mais o fato da maior parte do lixo não ser reciclado. Isto é, segundo a consultora ambiental Verônica Polzer, 97% do lixo produzido é levado à aterros, esgotando cada vez mais a capacidade desses. Ao refletir sobre o destino da escória, percebe-se que além da questão ambiental, se envolve também o Âmbito social, visto que, demonstra o abismo entre os que consomem excessivamente, e aqueles que se encontram em uma realidade de miséria nos destinos do lixo gerado, como foi representado na obra de Muniz.
Contudo, os consumidores não são os únicos responsáveis pelo excesso de lixo, uma vez que, na atual sociedade capitalista, protagoniza-se a obsolescência programada, que leva os indivíduos à consumirem cada vez mais produtos de curta vida útil, permitindo, então, o enriquecimento daqueles que detém os meios de produção.
Diante do contexto apresentado, evidencia-se a falta de comprometimento das indústrias em melhorar a logística da economia circular, em que recebem aquilo que produzem, como por exemplo, a Coca Cola, que reutiliza as garrafas retornáveis que produz. Dessa maneira, visando a redução do lixo produzido, é necessário que o Governo Federal incentive a economia circular, reduzindo os impostos das fábricas que exercem a economia circular, além de investir mais em pontos de reciclegem nas cidades, possibilitando que os cidadãos tornem a coleta seletiva mais eficiente, reduzindo os altos custos da reciclagem, e viabilizando sua execução em maior escala.