O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 28/08/2019

A teoria da “economia de crescimento” visa a movimentação econômica através do implante da necessidade de consumo, porém não vital. Com isso, o consumismo cresceu exponencialmente dando consequência, portanto, para o aumento dos resíduos sólidos descartáveis. No entanto, essa grande quantidade de lixo não é corretamente descartada, como nos países desenvolvidos que é colocada em aterros sanitários ou até mesmo usadas como energia elétrica. Em vez disso, os resíduos são descartados em lixões e por isso tornam-se um problema urbano associado ao capitalismo.

Com isso, a obsolescência programada é uma técnica utilizada por fabricantes para forçar a compra de novos produtos, já que substituí-los insere o consumidor em um grupo social privilegiado que faz com que se sinta “atualizado” e em um patamar superior, mesmo que o produto não seja necessário. Um desses exemplos é o lançamento de Iphone que restringe as novas atualizações apenas nos modelos mais atuais, e ao mesmo tempo, comprar o novo modelo dá um poder de “status”. Nessa situação, a mídia está diretamente ligada ao pensamento coletivo do consumo e ela que manipula o indivíduo para que não compre o necessário, sem consciência sustentável, explicado pelo engenheiro de materiais Logarezzi, “o consumo irreflexivo é aquele que é exercido sem considerar os impactos socioambientais decorrentes do produto ou serviço consumido e tampouco avaliando a real necessidade que motiva o consumo em questão.”

Desse modo, o Brasil ainda despeja 30 milhões de toneladas de lixo por ano, de forma inadequada e possui 3 mil lixões ou aterros irregulares, segundo dados do g1, embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tenha colocado uma meta de erradicação de lixões, porém não cumprida já que 60% dos municípios ainda descartam o lixo em aterros a céu aberto, sem nenhum controle sanitário. Um exemplo é o aterro de céu aberto evidenciado no curta metragem “Ilha das Flores””, o qual é apenas jogado e não cuidado devidamente.

Nesse ínterim, é visível a necessidade da melhora do tratamento do lixo e na mudança do paradigma social de consumo. Os municípios devem cumprir o que fora programado pela PNRS, isto é, o lixo deve ser direcionado pata aterros sanitários ou podendo também serem utilizados como recurso para energia elétrica, ou até separado para uso como adubo. Além disso, institutos responsáveis pelo lixo, como o Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente, devem conscientizar a população sobre o consumo consciente e a sua consequência para o meio ambiente, mas também instruir sobre modos de destinação correta do lixo.