O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/08/2019

Segundo o sociólogo Zigmund Bauman, em sua obra “Em busca da política”, nenhum país que esquece a arte de questionar pode esperar encontrar respostas para as adversidades que o afligem. Nessa perspectiva, tornam-se passíveis de discussão os problemas enfrentados, hoje, pela sociedade brasileira no que tange ao consumo desenfreado e, por conseguinte, o aumento da produção de lixo. Diante disso, poder público e coletividade devem se questionar acerca do seu papel no enfrentamento deste problema social.

Convém ressaltar, mormente, que a indústria cultural, guiado pelo capitalismo, manipula os comportamentos dos indivíduos. De acordo com a Teoria Crítica, desenvolvida na escola de Frankfurt, os meios de comunicação e a indústria cultural criam mecanismos de alienação para aumentar a necessidade do consumo. Um bom exemplo disso, é a obsolescência programa que consiste em um produto desenvolvido para funcionar durante um período limitado de tempo forçando, assim, o consumidor a comprar a nova geração do produto. Dessa maneira, nota-se que o aumento do lixo no Brasil é consequência direta dessa lógica consumista.

Em segundo plano, o descarte ineficiente do lixo, seja eletrônico, seja orgânico é, indubitavelmente, uma pauta a ser questionada. É flagrante que a coleta seletiva do lixo é fundamental para o processo de reciclagem, no entanto, consoante as pesquisas da revista Exame, 80% das cidades brasileiras não têm acesso à coleta seletiva. Nesse sentido, o ineficiente manuseio do lixo implica em significativos impactos ambientais. O famoso documentário “A ilha das flores” discute esses impactos, à medida em que mostra a poluição do ar e do solo como consequência de um lixo não seletivo e não reciclado. Desse modo, é inegável que o meio ambiente também sofre com o problema do lixo no Brasil.

Destarte, fica claro a necessidade de enfrentar a questão do lixo e seus efeitos no país. Para tanto, cabe aos Estados, com o aporte financeiro da União, instalar e fiscalizar a coleta seletiva do lixo em todas as cidades, a fim de potencializar o processo da reciclagem e evitar o descarte incorreto do lixo. Além disso, as escolas, responsáveis tanto pela formação intelectual quanto moral de crianças e jovens, devem ofertar à comunidade escolar palestras sobre reciclagem e os prejuízos de um consumo desenfreado, com vistas a mudar os comportamentos consumistas mediante a educação. Ademais, é interessante que o Ministério do Meio Ambiente, coloque nas ruas, estabelecimentos e shoppings um local de descarte do lixo eletrônico. Com efeito, observada uma ação conjunta entre instituições públicas e sociedade civil, o país encontrará soluções firmes para as adversidades que o afligem.