O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 29/08/2019
“Para a ganância, toda a natureza é insuficiente.” A declaração do filósofo romano Sêneca ilustra com clareza o problema relacionado ao fato constatado pelo Instituto Gea, que é o aumento excessivo da quantidade de lixo produzida no Brasil. De forma análoga, o interesse financeiro das grandes corporações acaba prevalecendo sobre a questão ecológica, pois a sociedade é cada vez mais influenciada a aumentar o consumo de bens materiais, consequentemente expandindo o volume de dejetos nas áreas urbanas e gerando consequências negativas para o meio ambiente. Nesse contexto, a manipulação comercial do indivíduo somada à ausência de estações de alocação dos resíduos são fatores que contribuem para à persistência da problemática.
Primeiramente, é visível que a questão psicológica esteja entre as causas da mazela. O uso maciço da propaganda pelos canais oficiais do governo alemão permitiu a ascensão do Nazismo durante o Segunda Guerra Mundial, fazendo com que a população germânica aceitasse a ideologia de maneira incondicional. Seguindo essa linha de pensamento, as organizações capitalistas investem intensamente nos seus departamentos de publicidade com o intuito de influenciar seus consumidores a comprarem itens que muitas vezes não fazem parte das necessidades básicas humanas, o que aumenta a quantidade de objetos descartados e acentua os problemas ambientais.
Outrossim, a insuficiência dos locais para destinação do lixo gerado contribui para o agravamento do quadro. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser o instrumento por meio do qual será alcançado o bem comum dentro da sociedade. Dessa forma, a ausência de um diálogo efetivo e democrático entre governo e iniciativa privada causa a escassez de ações que poderiam auxiliar no correto despejo e reciclagem dos dejetos, o que sobrecarrega as estações já existentes e priva o reaproveitamento de parte dos utensílios.
Sendo assim, a fim de atenuar o problema, cabe ao Congresso Nacional a elaboração de leis reguladoras das propagandas veiculadas no país, o que evitaria à superestimação de produtos à venda e reduziria o consumo desnecessário e o volume de resíduos produzidos por tais objetos. Além disso, uma parceria entre os parlamentares e o Ministério do Meio Ambiente permitiria o abatimento de impostos à empresas interessadas na construção de locais adequados para destinação e reciclagem do lixo produzido, o que viabilizaria não apenas o desafogamento dos já existentes aterros sanitários, mas também a reutilização dos materiais. Dessa forma, com base no pensamento de Sêneca, a ganância deixará de se sobrepujar à natureza e o desenvolvimento sustentável será progressivamente alcançado no Brasil.