O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/08/2019

O filósofo Hegel, no século XIX, propôs uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “a coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões desafiadoras. Tendo isso em vista, pode-se afirmar que, na contemporaneidade, o lixo e a sociedade de consumo no Brasil geram inúmeros prejuízos para a população e para o ecossistema. Desse modo, faz-se necessário entender as verdadeiras causas dessa problemática para solucioná-las.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, desde o fim da guerra fria e a consolidação do modelo capitalista, cresce no mundo um consumismo exacerbado e pautado, sobretudo, na ideia de obsolescência programada. Com isso, e como exposto por Karl Marx , cria-se no imaginário da sociedade o fetichismo sobre a mercadoria, cuja ilusão se dá pela compra e posterior descarte de um produto. Nesse ínterim, os impactos ambientais decorrentes da inadequada evasão do lixo no país cresce de forma geométrica, cujos maiores danos encontram-se em rios e córregos afetados por metais pesados advindos dos aparelhos eletrônicos descartados. Bom exemplo disso são as ilhas de lixo no Pacífico, onde toda a vida marinha foi substituída por computadores e celulares, por exemplo.

Por conseguinte, vale ressaltar que essa temática é corroborada por fatores socioculturais individualistas. Segundo José Saramago e seu conceito de “cegueira noturna”, o mundo apenas se encontra preocupado com o presente e não com os consequentes prejuízos às gerações futuras. Lamentavelmente tal perspectiva pode ser vista com as constantes enchentes nas áreas urbanas, que geram prejuízos materiais e doenças, como a transmitida pelos retos, visto o alto acúmulo de lixo. Dentro dessa lógica, nota-se que a falta de empatia e de iniciativas para o o bem coletivo é dotado de raízes históricas negligentes que, somada ao consumismo hodierno, dificulta o saudável desenvolvimento social.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar os efeitos do consumismo exagerado e seu descarte no cenário atual. Para a compreensão da população brasileira a respeito dos impactos do lixo associado ao consumismo, urge que o Ministério do Meio Ambiente crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem os riscos trazidos pelo descarte errôneo do lixo eletrônico, sugerindo aos interlocutores que busquem postos de coletas seletivas. a fim de amenizar gradativamente a degradação ambiental. Somente assim, o Brasil será capaz de alçar voo e adquirir competência para lidar sabiamente com a sociedade de consumo atual.