O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 04/09/2019
Com o advento do capitalismo - modelo econômico vigente desde o fim da Guerra Fria - e, principalmente, do modelo liberal, introduzido pelo pensador Adam Smith, as pessoas encontram-se inseridas em uma sociedade de consumo. Essa realidade denota um grande desafio no cenário global, sobretudo em países subdesenvolvidos, como o Brasil, posto que o aumento do consumo é diretamente proporcional à produção exacerbada de resíduos sólidos. Nesse contexto, a falta de criticidade da população, somada à carência de infraestrutura adequada para a coleta e para o tratamento do lixo urbano provoca, irrefutavelmente, efeitos deletérios no meio ambiente e na saúde pública.
A priori, é lícito destacar que o despreparo civil, no que concerne à produção excedida de lixo, corrobora a acentuação da poluição. Tal incapacidade, conforme o sociólogo Erving Boffman afirmou, ocorre devido à influência de fatores coercitivos que limitam o pensamento crítico dos indivíduos. Seguindo esse raciocínio, as empresas capitalistas, visando ampliar a lucratividade,utilizam recursos midiáticos que interferem no comportamento dos cidadãos, induzindo-os ao consumo descomedido e irresponsável. Diante disso, a escolha consciente é inibida pelo desejo compulsivo de adquirir mercadorias, e a produção de lixo é ampliada de forma significativa.
Por conseguinte, a poluição do espaço ambiental torna-se inevitável, levando em consideração que a infraestrutura de coleta e de reciclagem do Estado brasileiro é altamente deficitária. Assim sendo, o lixo urbano produzido, correspondente a 7,3 milhões de toneladas anuais, segundo dados do IBGE, é descartado em lixões a céu aberto. Esse cenário deturpado, configura-se um grande impasse no país, tendo em vista que a decomposição da matéria orgânica produz o caldo chorume - altamente nocivo ao meio ambiente - e, devido a alta permeabilidade do terreno dos lixões,esse líquido infiltra-se no solo e contamina o lençol freático, acarretando consequências consideráveis à fauna, à flora e à saúde pública.
Desprende-se, portanto, que esse quadro de poluição, agravado pelo consumismo, deve ser s no solucionado no Brasil. Para tanto, cabe ao Poder Executivo atenuar a produção deliberada de resíduos sólidos no meio social,por meio da exposição da temática em campanhas publicitárias governamentais que evidenciem os efeitos causados pelo consumo irresponsável, a fim de despertar a população para o pensamento crítico e orientá-la acerca do descarte adequado do lixo. Além disso, cumpre ao Ministério das Cidades melhorar a infraestrutura dos municípios, mediante a destinação de recursos específicos, objetivando garantir-lhes respaldo financeiro para a coleta seletiva e para a reciclagem adequada. Assim, a sociedade de consumo do século XX reverter-se-á em uma sociedade sustentável.